Assembleia Geral Ordinária 2024

MAPFRE
Madrid 1,95 EUR 0 (0,1 %)
Madrid 1,95 EUR 0 (0,1 %)

SAÚDE| 27.12.2023

Burnout e saúde mental no trabalho. Como podemos nos cuidar?

Thumbnail user

Quem nunca ouviu a expressão “estar queimado no trabalho”

No mundo do trabalho atual, em que a pressão pelo rendimento e a conexão digital contínua alcançaram níveis sem precedentes, o termo “burnout” deixou de ser uma expressão abstrata para se tornar uma realidade palpável, um fenômeno onipresente que afeta trabalhadores de todos os setores e em todo o mundo, mas de forma especialmente preocupante para as gerações mais jovens.

O que é o burnout?

Estamos falando de algo mais do que apenas fadiga ou cansaço. O burnout é o esgotamento emocional, físico e mental (incluindo sentimentos de negatividade, cinismo, depressão e outros) que surge da exposição prolongada ou contínua a altos níveis de estresse no ambiente de trabalho e que acaba gerando consequências palpáveis na saúde física e mental dos trabalhadores.

Desde 2019, quando a classificação de doenças ICD-11 da OMS entrou em vigor, esta situação foi reconhecida e detalhada como um “fenômeno ocupacional” em vez de uma condição médica. Isto, que pode parecer trivial, permite que o problema seja abordado de maneira correta: a partir do contexto do posto de trabalho e não do indivíduo. Isso evidencia como as políticas e práticas das empresas são chave na prevenção do burnout.

Causas do burnout no trabalho

O estresse contínuo e excessivo no trabalho, o burnout, é um fenômeno complexo e multicausal, mas podemos definir quatro grandes áreas de impacto responsáveis por sua ocorrência.

  1. Pressão excessiva

As demandas excessivas no ambiente de trabalho, seja em termos de carga de trabalho ou de expectativas pouco realistas em relação à complexidade das tarefas ou ao tempo disponível para realizá-las, são uma fonte comum de burnout. No caso das gerações mais jovens, também existe uma pressão adicional nascida da necessidade de demonstrar continuamente seu valor, para se destacar em um mercado de trabalho cada vez mais inconstante e competitivo.

  1. Falta de autonomia e clareza nas responsabilidades

Não é incomum que um trabalhador passe seus dias sem ter uma ideia clara de onde começam ou acabam suas responsabilidades, ou o prazo que dispõe para realizar uma tarefa. Aqui também é necessário mencionar a falta de autonomia ou controle sobre o próprio trabalho.

  1. Falta de desconexão entre vida profissional e pessoal

A dificuldade cada vez maior de se desconectar do trabalho, impulsionada pela conectividade contínua através de dispositivos digitais, contribui de maneira significativa para o esgotamento. A linha entre vida profissional e pessoal desaparece, dificultando encontrar tempo e espaço para a recuperação, o descanso e as atividades que preenchem nosso tempo lazer de maneira significativa.

  1. Insegurança no trabalho

A instabilidade no emprego acrescenta um componente adicional de estresse. Esta falta de segurança pode gerar ansiedade constante, alimentando assim o burnout diante da incerteza de saber se manteremos ou não nosso posto de trabalho, ou se será possível progredir nele, tanto em temos de responsabilidades quanto em compensação financeira.

Quais são as consequências do burnout no trabalho?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 27% dos trabalhadores globais experimentam altos níveis de estresse no trabalho, contribuindo diretamente para o desenvolvimento do burnout. Além disso, 15% dos trabalhadores ativos sofrem algum tipo de transtorno mental.

Tudo isto não significa apenas a perda de doze bilhões de dias de trabalho a cada ano em todo o mundo, mas estabelece uma relação direta entre burnout e os transtornos como a ansiedade e a depressão.

Adicionalmente, o burnout profissional é um risco para a retenção do talento. E isto é algo que foi exacerbado após a pandemia da Covid-19 e “a grande demissão” que aconteceu posteriormente.

Como podemos evitar o burnout?

Conforme mencionado, o burnout no trabalho é uma condição do ambiente de trabalho. Dito isso, combatê-lo dependerá não apenas das medidas estabelecidas pela empresa, mas também podemos adicionar práticas pessoais que nos ajudem a lidar com a pressão.

  • O que posso fazer para evitar burnout

Aprender a estabelecer limites tanto no trabalho, praticando a comunicação assertiva para saber dizer não, quanto na divisão entre trabalho e vida pessoal é essencial. Além disso, encontrar espaços para exercícios físicos, praticar relaxamento ou meditação e cultivar hobbies que permitam a desconexão mental do ambiente de trabalho ajudarão a mitigar os efeitos de um estresse excessivo.

  • O que as empresas podem fazer para evitar o burnout em seus trabalhadores

A promoção de um ambiente de trabalho saudável é responsabilidade essencial e prioritária das empresas.

Para isso, elas devem estabelecer limites claros para as horas de trabalho, políticas de conciliação que encorajem o equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal, canais de comunicação aberta e direta, oferecimento de oportunidades de aprendizagem, promoção e mobilidade, e ajudar a encontrar um propósito no dia a dia profissional, bem como controlar atitudes nocivas, como abusos de poder, discriminação e outras.

Além das medidas próprias, a OMS e a OIT estabeleceram protocolos, marcos e ferramentas para medir e prevenir o burnout. Uma ferramenta para começar, que é simples e útil tanto para empresas quanto para indivíduos é, por exemplo, o app Stress Prevention Checkpoints que permite coletar e analisar rapidamente onde devemos agir. 

 

Como a MAPFRE protege a saúde de seus funcionários

Na MAPFRE, trabalhamos com um modelo global de gestão de Empresa Saudável, que é um marco que permite a criação de um ambiente de trabalho saudável e a promoção de hábitos de vida saudável entre nossos funcionários. Esse modelo abrange cinco áreas: ambiente de trabalho, promoção da saúde, atividade física e alimentação, bem-estar mental e ambiente pessoal.

Estabelecemos programas de treinamento, autoaprendizagem e desenvolvimento de carreira profissional que permitem que os funcionários continuem sua formação e progresso. Ainda, programas de reconhecimento e mentoria que ajudam funcionários recentes e experientes a conhecer seu valor, responsabilidades, sucessos e possíveis melhorias de maneira clara, com uma avaliação de desempenho completa e contínua.

Assim mesmo, contamos com canais de comunicação imediata e direta, por exemplo, através de nosso app Pessoas, que permite realizar múltiplas gestões com Recursos Humanos.

Além do escritório, na MAPFRE promovemos a conciliação familiar e profissional, com políticas que nos permitiram obter a certificação EFR com o apoio do Ministério da Igualdade (a iniciativa EFR foi reconhecida como Good Practice pela ONU, o que a torna um dos maiores reconhecimentos em termos de conciliação e igualdade que existe atualmente na Espanha) e definimos programas de saúde física e emocional, bem como medidas de desconexão digital e conciliação focadas na saúde das pessoas, com campanhas de informação e promoção do bem-estar mental ou assessoria psicológica a funcionários e familiares. 

Também estamos firmemente comprometidos com a gestão da diversidade em todos os aspectos, algo que contribui decisivamente para o bem-estar pessoal e profissional de nossos funcionários. Profissionais satisfeitos são profissionais mais produtivos, mais envolvidos com a empresa e mais felizes em sua vida pessoal. Somente quando temos a melhor experiência é que podemos dar o melhor de nós e isso produz efeitos positivos no bem-estar das pessoas, tanto em sua vida pessoal quanto profissional.

Por fim, nosso modelo de medição nos permite avaliar um índice de compromisso dos funcionários em diferentes áreas para detectar pontos de melhoria e definir práticas que ajudem a criar um ambiente de trabalho mais saudável.  Em 2022, o índice de compromisso foi de 70, que é a porcentagem de funcionários que pontuaram com uma média de 8,9 ou 10 estas 10 variáveis: Conhecimento dos objetivos, orgulho pelo trabalho realizado, reconhecimento pelo trabalho realizado, contribuição para a empresa, recebimento de feedback de qualidade, oportunidades de desenvolvimento, colaboração, ferramentas de trabalho, cuidado com as pessoas e orgulho do impacto social. Convidamos você a encontrar mais detalhes em nosso relatório Pessoas e Organização.

ARTIGOS RELACIONADOS: