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INOVAÇÃO| 09.05.2022

Metaverso: O que esperar deste novo mundo virtual?

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Hoje apresentamos o segundo capítulo sobre o Metaverso, em que aprofundaremos neste tema com a ajuda de Edgar Martín-Blas, especialista em realidade aumentada e CEO e diretor criativo de Virtual Voyagers. Sua empresa é uma das poucas companhias especializadas em ambientes virtuais na Espanha e tem realizado centenas de projetos de realidade virtual, aumentada, mista e imersiva, entre eles, a plataforma de concertos virtuais de Facebook.

Falaremos com Edgar sobre seus inícios, sua visão do que esperar deste novo ambiente virtual em que mergulhamos, como afetará as marcas e como lançaram uma academia para formar os novos profissionais que trabalharão no desenvolvimento do metaverso.

METAVERSO

Em primeiro lugar, você pode explicar como começou sua relação com a realidade aumentada, virtual e mista e o que os levo a serem partners na criação deste Metaverso?

Tudo começou em 2013, quando testamos o primeiro protótipo de VR, os Oculus Rift, criados por um rapaz com apenas 20 anos chamado Parlmer Luckey. Posteriormente, esse produto foi comprado por Facebook pela exorbitância de 2000 milhões de $.

“Então juntamos um grupo de aventureiros que começaram a experimentar com estas tecnologias e, aos poucos, fomos crescendo em desenvolvimentos e marcas, até trabalharmos para mais de 88 em 220 projetos”.

Entre os projetos mais recentes se destacam aqueles realizados para a Vodafone e a Telefónica, e que foram vistos na última edição do Mobile World Congress de Barcelona. Para o primeiro, criou-se o projeto “Vodafone 5G Reality”, um novo serviço virtual que possibilitará aos clientes desfrutar de experiências imersivas, como assistir de maneira virtual a espetáculos, viajar pelo mundo e muito mais. No caso da Telefónica, tratava-se de um espaço virtual, onde os assistentes ao MWC podiam percorrer o estande na forma de avatar. Além disso, grande parte de suas apresentações no evento podiam ser visualizadas virtualmente através do metaverso.

Se já a Internet representou algo inovador na maneira de se relacionar e consumir, o que significará a chegada do Metaverso quando já estiver implementado mais globalmente? Como isso afetará a forma como consumimos, agimos ou nos relacionamos uns com os outros?

Ele mudará muitas coisas, especialmente na presencialidade, já que o Metaverso permite o acesso a uma Internet 3D, onde coisas acontecem. Isso abre a porta para milhares de aplicativos que vão dos videogames ao teletrabalho, passando pela socialização, os espetáculos ou as comunicações.

Pensemos que qualquer marca poderá criar um ambiente tridimensional e incluir atividades. Daí o grande interesse na chegada do Metaverso.

E por falarmos em futuro, como você acha que o porvir das marcas/empresas vai mudar com a chegada do Metaverso?

Elas terão que aprender a conviver em um mundo físico-digital diferente do atual, porque as novas gerações entre 8 e 16 anos já realizam atividades dentro do Metaverso e conferem tanta importância à sua vida física quanto à virtual.

“Isto muda como são definidos os produtos, como é o consumo ou o que tem valor para o usuário. Por isso, marcas como Nike, Adidas, Inditex criaram departamentos que desenham roupa e acessórios para o Metaverso. Gigantes como a Disney também estão apresentando seus mundos virtuais, que expandirão a experiência dos filmes e parques temáticos para esta nova Internet”.

Quantos anos podem passar até que seja possível observar uma transição completa em negócios e consumidores para este novo mundo virtual? 

Isto será complexo, pois não é tão simples como fazer um site web. Eu diria que demoraremos 10 anos para que as empresas menores comecem a ter sua presença no metaverso de forma padrão, porque isto requer, em primeiro lugar, do estabelecimento de bases e é nisso que está sendo trabalhado agora.2

Para finalizar, você pode dizer que outras coisas podem ser esperadas deste novo mundo virtual, além dos NFT, as criptomoedas e ambientes virtuais?

O Metaverso misto é um tipo de Metaverso que está prestes a começar, graças à Apple e a alguns fabricantes como Nreal ou Magic Leap. Ele dá um passo à frente e misturará o mundo real com o virtual, utilizando óculos transparentes. Mesmo parecendo ciência ficção, ele está aqui e já desenvolvemos alguns protótipos nesta linha.

Talento para o metaverso: A Academia de exploradores do Metaverso

Para impulsionar o talento necessário para a criação destes novos ambientes virtuais, eles criaram ‘A Academia de exploradores do Metaverso’, aliando-se com a Universidade Complutense de Madrid. Em palavras de Edgar, “é uma academia que concebemos junto à Complutense para formar em toda a gama que abrange o Metaverso, a partir da conceptualização de mundos virtuais até a programação, o design ou a parte de negócio. Experimentou um grande êxito com mais de 600 subscritos para apenas 64 vagas no formato Full Mastery e Business”.

Realidade mista: chegou para ficar

Nem uma semana depois que o Facebook anunciou sua transformação para Meta, a Microsoft anunciou que introduziria avatares personalizáveis em Teams, sua ferramenta de chamada por vídeo com mais de 250 milhões de usuários em todo o mundo.

A proposta da empresa tem o apoio de Mesh, a plataforma de realidade mista, uma combinação de realidade virtual e realidade aumentada. Para poder utilizar o avatar em Teams não será preciso colocar óculos de realidade virtual: o sistema traduzirá o áudio do emissor para os movimentos da boca e as expressões faciais do avatar. Será a partir do próximo ano que veremos esta utilidade no aplicativo. Este sistema permitirá àqueles usuários que não desejem sair na tela escolher um boneco que os represente.

O confinamento significou o boom das reuniões virtuais, um formato que foi incorporado como outra ferramenta, mesmo com a volta aos escritórios. Na Microsoft mencionam que abusar das chamadas por vídeo é prejudicial e afeta a produtividade dos funcionários. Por isso, asseveram que incorporar os avatares nas reuniões de Teams pode ajudar a reduzir o estresse que representa efetuar uma chamada de vídeo.

E é que, com tudo isto, chegamos à conclusão de que o metaverso já está aqui, tal como menciona Bloomberg: “Meta tem prevista a criação de 10.000 empregos somente na Europa, que se somam aos mais de 800.000 milhões de dólares que esta indústria gerará até 2024”. Porque agora, mais do que nunca, precisamos de pessoas formadas nesta matéria para dar vida a este novo universo do que todos formaremos parte mais cedo ou mais tarde.

 

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