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SAÚDE| 23.02.2023

A saúde na Latam, um raio-x após a pandemia

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A América Latina tem sido uma das regiões que mais tem sofrido com a crise do coronavírus, que teve um forte impacto em seus sistemas de saúde dos quais ainda está tentando se recuperar. Por ocasião da aliança da MAPFRE com a Bupa para impulsionar seus serviços de saúde na América Latina, neste artigo analisamos o estado atual da saúde na região.

Apesar do declínio da covid, e apesar de algumas deficiências históricas, a saúde na América Latina tem se caracterizado nas últimas décadas por esforços significativos para expandir seu alcance. “Antes de falar dos desafios enfrentados pelos diferentes sistemas de saúde na região, é necessário reconhecer que muitos de seus países fizeram progressos significativos na tentativa de alcançar uma cobertura universal”, diz Ricardo González García, diretor de Análise, Estudos Setoriais e Regulamentação da MAPFRE Economics.

Este progresso foi avaliado pela OCDE em um relatório recente, no qual menciona a Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Peru, pela implementação nas últimas décadas de políticas para fortalecer os cuidados primários de saúde e colocá-los no centro de sua estratégia de saúde. Este trabalho deu frutos, incluindo o aumento da expectativa de vida (em 2019 era de 78,5 anos nestes sete países, três anos mais do que em 2000) e uma redução significativa na mortalidade infantil, que caiu pela metade nos últimos 20 anos.  

O retrocesso da covid e a “medicina de guerra”

Praticamente todos os estudos que analisaram o impacto da pandemia, incluindo o realizado pela MAPFRE Economics, concordam que a América Latina tem sido uma das regiões mais afetadas.  Dois dados ilustram a gravidade da situação: Peru e México têm os maiores números de excesso de mortalidade do mundo. E nos sete países mencionados acima, mais pessoas morreram em 2020 e 2021 do que nos cinco anos anteriores.

Diante desta avalanche de casos de covid, os sistemas de saúde, como em grande parte do mundo, foram levados a uma “medicina de guerra” voltada para o tratamento – e sobrevivência – de pacientes com covid. Como resultado, o estudo de outras doenças foi negligenciado, com a medicina preventiva e os cuidados primários sendo sacrificados. Por exemplo, no Peru, em 2020, foram diagnosticados 50% menos casos de câncer do que a média dos quatro anos anteriores e, no Chile, o tratamento do câncer cervical diminuiu pela metade no ano do surto da pandemia. Estes dados mostram uma lacuna na detecção precoce resultando em diagnósticos tardios e menos opções de tratamento, um gargalo que também afetou os profissionais de saúde devido ao aumento de sua carga de trabalho.

“O estresse sofrido pelos serviços de atenção primária durante a pandemia deixou sequelas em seu funcionamento que ainda precisam ser superadas, como é também o caso da maioria dos sistemas de saúde do mundo, incluindo aqueles considerados os mais avançados”, diz Ricardo González, que aponta que “ainda há um longo caminho a percorrer” na América Latina, em aspectos como a provisão de pessoal de saúde, a melhoria da infraestrutura ou a alta fragmentação territorial e funcional, o que dificulta tanto o acesso aos serviços de saúde quanto à informação sobre os pacientes por parte dos profissionais. Este reforço é necessário não apenas nos cuidados primários, mas também nos cuidados de emergência, secundários e terciários.

O envelhecimento da população e a desigualdade, outros desafios no horizonte

Estas deficiências sanitárias agravadas pela pandemia se sobrepõem a outros grandes desafios estruturais, que transcendem o campo da saúde. Entre eles, Ricardo González menciona a crescente carga de doenças crônicas e o envelhecimento da população, dois fatores demográficos que mostram uma região em transição para uma pirâmide populacional mais semelhante à dos países mais desenvolvidos; e outros de natureza econômica, como os altos níveis de desigualdade sócio-sanitária, a falta de investimentos e as severas restrições orçamentárias.

A questão econômica é a chave para medir o estado de saúde. Os dados de países latino-americanos mostram que, em geral, existe uma relação direta entre o alto excesso de mortalidade e níveis mais altos de pobreza e pobreza extrema. Além disso, uma das características dos sistemas de saúde na região é a alta porcentagem de gastos sem recursos: a OCDE estima que, entre as principais nações latino-americanas, os gastos sem recursos representam uma média de 28,1% dos gastos com saúde, excedendo 40% em algumas delas, bem acima da média da OCDE (18,1% em 2020), o que indica a existência de barreiras ao acesso aos serviços de saúde e a existência de lacunas de cobertura.

O papel dos seguros privados

Os modelos de saúde latino-americanos diferem muito de país para país, como analisado neste relatório da MAPFRE Economics, mas a maioria são modelos mistos, com características típicas dos sistemas de seguro social de saúde (como os sistemas no Chile, Colômbia ou Costa Rica) e outros que os aproximam, em maior ou menor grau, dos sistemas nacionais de saúde, com cobertura pública universal e gratuita para um pacote de serviços básicos (como é o caso do Brasil).

Em todos eles, o seguro privado desempenha um papel complementar ao do setor público. Porto Rico é a única exceção na América Latina, pois, como países como os Estados Unidos, Holanda e Japão, concede às seguradoras o poder de participar do sistema de cobertura universal obrigatório.

Neste contexto, “o papel do setor segurador na região da América Latina pode ser fundamental, complementando os sistemas públicos, para cobrir as lacunas de proteção que existem atualmente”, diz Ricardo González.

O acordo da MAPFRE com Bupa

Com o objetivo de impulsionar a assistência médica de primeira classe, a MAPFRE chegou a um acordo com Bupa, a empresa matriz da Sanitas, para oferecer um seguro de saúde internacional, um serviço que começará no Peru e posteriormente no Uruguai e Paraguai.  A aliança cobre toda a região da América Latina, e as duas empresas explorarão mais oportunidades conjuntas em outros países.

“Esta aliança entre a MAPFRE, número um em seguros na América Latina, e Bupa, líder mundial em seguros de saúde, é uma combinação imbatível que reforça nossa liderança e nos permitirá expandir nossa oferta na região com um ramo altamente demandado como é o de saúde”, disse Jesús Martínez Castellanos, CEO da MAPFRE para a LATAM.

 

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