A Mapfre Economics, o Serviço de Estudos da Mapfre, atualizou a projeção de crescimento da economia global, situando-a em 2,9% para este ano e 3% para o próximo, com inflação de 3,7% e 3%, respectivamente. Esses dados constam em seu relatório “Panorama Econômico e Setorial 2026: atualização de previsões para o segundo trimestre”, publicado pela Fundación Mapfre.

O Serviço de Estudos explica que o ciclo econômico global caminha para um cenário de “estagflação” motivado por tensões geopolíticas, disrupções logísticas e shocks no setor da energia. “A geopolítica se consolida como o eixo central, subordinando a política monetária a uma rigorosa gestão de riscos”, destaca.

Em nível regional, o impacto ocorre de forma assimétrica. Os Estados Unidos aparecem, em princípio, mais bem posicionados para absorver alguns meses de inflação mais elevada, graças à sua condição de produtor de energia, à flexibilidade de sua estrutura produtiva e à profundidade e sofisticação de seus mercados financeiros, que funcionam como amortecedores relevantes diante do shock. A estimativa de crescimento para este ano se situa em 2% e em 1,9% para o próximo, com uma inflação de 3,3% e 2,1%, respectivamente.

A Europa, por sua vez, continuará crescendo, mas em um ritmo mais lento do que o previsto e sob um regime de inflação mais elevada e volátil, configurando um cenário de transição em vez de uma trajetória definida. No curto prazo, o mais provável é um período de convivência com pressões inflacionárias impulsionadas pela energia e pelo transporte. Nesse contexto, a Mapfre Economics projeta que a economia do Velho Continente cresça 1% em 2026 e 1,2% em 2027, com uma alta de preços de 2,5% e 2%, respectivamente.

A Ásia enfrenta um impacto de natureza semelhante ao europeu, porém potencialmente mais delicado devido à sua maior exposição direta ao comércio de energia e às rotas marítimas afetadas. Dessa forma, a região registraria um crescimento de 4,5% este ano e o mesmo número no próximo, com uma inflação de 1,3% e 1,4%, respectivamente.

Por fim, a América Latina enfrenta o impacto do conflito sob um cenário menos homogêneo e, em média, menos adverso que o da Europa ou da Ásia, embora igualmente condicionado pelos mesmos vetores geopolíticos. O Serviço de Estudos da Mapfre antecipa uma melhoria do PIB da região de 1,9% para este ano e de 2,1% para o próximo, com uma alta de preços de 8,8% e 7,8%, respectivamente.

Impacto no setor segurador

A indústria seguradora exibe certa resiliência, alavancada no crescimento nominal decorrente da inflação, embora esteja sujeita a uma acentuada volatilidade financeira. O segmento de Vida consegue se sustentar por meio dos retornos de investimento, enquanto o segmento de Não Vida demandará uma disciplina de assinatura rigorosa e um ajuste tarifário para mitigar a erosão das margens operacionais diante do encarecimento dos sinistros.

Dessa forma, a Mapfre Economics antecipa uma melhoria global nos prêmios do segmento de Vida de 5,4% neste ano e de 6,7% no próximo, enquanto os prêmios de Não Vida crescerão 5,5% em 2026 e 6,4% em 2027.

Você pode ler o relatório completo aqui.