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SUSTENTABILIDADE| 14.07.2021

Ilhas e territórios que estão no caminho para serem 100% renováveis

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Pode parecer utopia, mas conseguir um abastecimento energético que atenda a todas as nossas necessidades, com origem em fontes 100% renováveis é, sem dúvida, um dos objetivos da nossa sociedade no longo prazo.

É preciso ter consciência das dificuldades técnicas encontradas na geração e no armazenamento de energia e da importância de não haver interrupções no fornecimento a lares e empresas.

Por exemplo, a Comissão Europeia estabelece um roteiro, com o horizonte estabelecido para 2050, com o objetivo de atingir a neutralidade climática na Europa. Criada em 2018, a estratégia aposta no investimento em soluções tecnológicas realistas. Foram definidas sete áreas estratégicas de ação. Uma delas é a implantação de energias renováveis.

Atualmente, nossa dependência dos combustíveis fósseis continua muito grande, e a renovação da frota de automóveis para modelos híbridos e elétricos é um longo caminho a ser percorrido. Talvez sequer em muitas décadas cheguemos a um modelo de produção de energia integralmente renovável, mas cada passo dado nesse sentido é positivo. E, enquanto nos perguntamos se é possível chegar a esses utópicos 100%, podemos olhar para pequenas regiões do planeta e observar alguns casos isolados que tiveram êxito.

A Tasmânia se junta ao clube dos mais limpos

A Tasmânia é um dos últimos territórios de que temos conhecimento a conseguir atingir o autoabastecimento com 100% de energia limpa. Embora seja uma ilha, esse feito é muito relevante, pois trata-se de um dos estados da Austrália, o 26º território insular do mundo em extensão, com uma população superior a meio milhão de habitantes.

O ministro da energia da Tasmânia declarou que a autossuficiência energética do país foi atingida graças à energia renovável gerada por vários projetos relacionados à produção de energia elétrica e eólica. Dessa forma, a ilha se une a outro território australiano, o TCA de Camberra (o distrito federal onde está localizada a capital australiana), como os dois únicos com jurisdição própria no país que utilizam unicamente energias renováveis. A conquista foi comemorada pelas organizações locais da WWF e do Greenpeace. Assim, podemos dizer que o apoio foi unânime.

Outras ilhas e territórios “100% renováveis”

Para deixar claro que não falaremos somente de ilhas, começamos por um dos casos mais evidentes de sucesso em autossuficiência energética com fontes renováveis: a Costa Rica.

Estamos falando de um país de 5 milhões de habitantes na América Central que alcançou os tão sonhados 100% em energias renováveis. Tecnicamente, talvez não seja 100% todos os dias do ano, já que são fontes de energia que dependem de aspectos climáticos. Na ausência de dados de 2020, o exemplo é de 2019: o pais foi 100% abastecido por fontes renováveis durante 300 dias do ano.

Não foi algo que surgiu de um dia para o outro, mas sim um esforço sustentado que deu frutos nos últimos seis anos. A principal fonte é a hidrelétrica, que atende a mais de 70% das necessidades energéticas dos costarriquenhos. Em um distante segundo lugar estão as fontes geotérmica e eólica.

Agora vamos para a Europa falar de Tilos. Em 2017, já se dizia que a ilha seria a primeira a sobreviver somente com energias renováveis (esses rótulos devem ser assumidos com cuidado). O projeto aprovado em maio daquele ano consistia em um moinho de vento e em um grande painel de energia solar.

Embora sua população seja pequena (entre 500 e 800 habitantes, dependendo da fonte), Tilos conta (não neste momento, mas em condições normais) com um fluxo contínuo de visitantes, que antes dependiam do abastecimento da ilha vizinha de Kos. O projeto foi lançado e, graças às energias renováveis, Tilos é, para todos os fins, independente do ponto de vista energético desde janeiro de 2019.

Ainda na Europa, falamos agora de um país que quase conseguiu atingir os 100% de fornecimento de energia limpa e sustentável. Trata-se da Islândia. Um país com abundância em um recurso de que outros carecem: a energia geotérmica, utilizada para aquecer diretamente nove em cada dez lares, por exemplo.

Os primeiros passos na Islândia não foram dados por razões ecológicas, mas para escapar da flutuação dos preços do petróleo nas várias crises, conta Hrund Logadóttir, diretora da Faculdade Islandesa de Energia da Universidade de Reykjavik. Ela também conta que, além da energia geotérmica, é muito importante mencionar a contribuição da energia hidrelétrica e que, se necessário, a energia eólica (que quase não está sendo utilizada no momento), teria um grande potencial.

Vamos falar da Península Ibérica: Espanha e Portugal

Talvez olhar para os progressos da nossa vizinha Portugal possa servir como incentivo. Há um ano, o país tem dois terços da energia produzida por fontes renováveis, principalmente hidrelétrica e eólica, enquanto a energia solar ainda desempenha um papel mais residual.

Um exemplo do trabalho realizado no país lusitano é a Ilha de Graciosa, no arquipélago dos Açores, que se abastece há anos somente de energia renovável graças à construção de uma infraestrutura que combina a geração de energia solar e eólica com o armazenamento em baterias de íons de lítio. A construção começou em 2016 e terminou em 2018. Outros projetos foram posteriormente lançados em outras ilhas do arquipélago.

Agora vamos falar um pouco da Espanha. É possível ver, no site da Red Eléctrica, os dados de quanto as energias renováveis contribuíram diretamente em 2020: promissores 44%, mas que, ao mesmo tempo, mostram que há muito trabalho pela frente.

Há anos, a Ilha El Hierro, no arquipélago das Canárias, tem como objetivo tornar-se um território 100% renovável. Sua aposta é uma central hidroeólica, que produz energia eólica para uso da população e, com os excedentes, bombeia água de um depósito para outro localizado em um nível superior. Em época de escassez de vento, cria-se uma queda d’água que permite a geração de energia hidrelétrica. Motores a diesel atendem à demanda quando a energia eólica não é suficiente.

Durante 2019, este sistema permitiu que 54% da energia consumida na ilha tivesse origem limpa e sustentável. Durante 1.905 horas, a energia foi 100% renovável. Julho foi o melhor mês, quando o abastecimento renovável chegou a 97%. Para encontrar os dados de 2020, é necessário acessar o site da empresa que gerencia a central hidroeólica. Lá, é informado que, no último ano, foram fornecidas menos horas de energias renováveis do que nos dois anos anteriores. É preciso continuar trabalhando em busca do objetivo definido.

Em outra das ilhas canárias , a Graciosa (não confunda com a ilha portuguesa), a aposta para se tornar 100% renovável está na energia solar. Neste caso, falamos de uma ilha muito menor, com uma população de pouco mais de 700 habitantes.

O futuro nesta área é promissor. Como informado, na União Europeia temos a perspectiva de trabalho conjunto, com o objetivo de termos um continente não poluente até 2050. A tecnologia, o apoio institucional e o incentivo das empresas privadas precisarão convergir, e veremos certamente a colaborações entre países, como o apoio conjunto da Alemanha e da Dinamarca aos parques eólicos marinhos. Os próximos capítulos estão sendo escritos.