Na última década, os psicólogos constataram que cada vez há mais pessoas que padecem esta nova afecção vinculada à crise do clima. As pessoas que sofrem ansiedade climática vivem com a preocupação de que, se não agimos urgentemente, não poderemos enfrentar os efeitos da mudança climática, que cada vez são mais evidentes. A seguir, repassamos o que é a ecoansiedade, como nos afeta e o que podemos fazer para nos sentir melhor e ao mesmo tempo cuidar do planeta.
A angústia por salvar o planeta chama-se ecoansiedade
A ecoansiedade é uma nova forma de afecção da saúde mental que é gerada por causa da preocupação pelo futuro incerto que enfrentamos.
A Associação Americana de Psicologia (APA) descreve esta afecção como “o temor crônico de um cataclismo ambiental e o estresse causado por observar os impactos aparentemente irrevogáveis da mudança climática e pela preocupação diante do futuro próprio e o das futuras gerações”.
Por enquanto não é considerada uma patologia, mas os especialistas alertam de que a preocupação elevada pela emergência climática que estamos vivenciando pode levar a transtornos psicológicos e sequelas em algumas pessoas, o que requer estar atento a sua evolução.
Este sentimento de temor e ansiedade aumenta quando lemos algumas notícias na mídia sobre o aquecimento global ou quando vemos imagens devastadoras que são consequência de fenômenos meteorológicos extremos, como o aumento da temperatura que está provocando o degelo do Ártico.
Como nos afeta a ansiedade climática?
É certo que, até agora, a comunidade científica esteve mais concentrada em analisar os efeitos das ações humanas no meio ambiente e como estas consequências repercutem em nossa saúde física, por exemplo, devido à poluição ou à escassez de alimentos, entre outros problemas. Mas a isto agora se soma este novo paradigma em que cada vez se analisam e debatem mais os efeitos da mudança climática em nossa saúde mental.
A população mais jovem é a mais afetada pela ansiedade climática, precisamente os que têm mais futuro pela frente e que veem com seus próprios olhos as consequências do que fizeram as gerações anteriores. Segundo o resultado de um estudo recente da plataforma Avaaz, no qual participaram pesquisadores de seis universidades do mundo, revela que 75% dos entrevistados, ou seja, mais de 7 de cada 10 jovens entre 16 e 25 anos, sentem que seu futuro é aterrador, um porcentagem que sobe para 81% nos jovens entrevistados em Portugal e 92% em Filipinas. Além disso, 65% pensam que os governos não estão fazendo o suficiente para evitar uma catástrofe climática; e 39% duvidam de se ter filhos ou não devido à emergência global que enfrentamos.
Segundo este mesmo estudo, quase a metade dos jovens entrevistados no âmbito mundial, 45%, assegura que a ansiedade relacionada com a mudança climática está afetando sua vida cotidiana: a forma em que jogam, comem, estudam e dormem.
Se consideramos os resultados destes estudos podemos confirmar que a preocupação existe. Mas há formas de enfrentar essa ansiedade gerada pela crise climática que vivemos atualmente e, indo um passo mais além, ser capazes de agir proporcionando ações para que o futuro do planeta e o das próximas gerações melhore.
Como enfrentar a ecoansiedade?
“Torne-se a mudança que você quer para o planeta”, repetem várias vezes os slogans da luta meio ambiental. Mas como passamos à ação? Para acalmar a sensação produzida pela ansiedade climática o melhor é nos sentir útil e ser conscientes da situação.
Uma das chaves é aprender a viver de maneira mais sustentável, optando por consumos mais responsáveis e locais, apoiando marcas sustentáveis, reduzindo o uso de plásticos de um único uso, etc. Em suma, a ação baseia-se em apoiar o desenvolvimento sustentável e ser exemplo disso.
Compartilhando as mudanças individuais conseguiremos mudanças coletivas, as pequenas mudanças que podem marcar a diferença no meio ambiente, mas também na saúde mental.
Entender melhor o momento em que vivemos em todas as suas facetas, incluindo os efeitos da mudança climática, como ela nos afeta e o que podemos fazer a respeito, é outra das chaves para combater a ecoansiedade. A comunidade científica é clara: ainda estamos a tempo de reverter seus efeitos, mas para isso é essencial o compromisso com os objetivos da Agenda 2030 e a atuação a partir de nossa posição pessoal e local.
Da APA, a Associação Americana de Psicologia, marcam também algumas pautas para combater este mal-estar, como confiar na aptidão de resiliência pessoal (isto é, ter a capacidade de adaptar-nos à adversidade e ser positivos sobre a capacidade de superação), fomentar o otimismo, procurar ajuda e encontrar um propósito… Um exemplo disto último pode ser a união à causa através do ativismo, o que se veria como uma solução para controlar a angústia e encontrar sossego com o apoio na comunidade.
Compartilhar as preocupações com nosso círculo próximo e nos sentir apoiados pode melhorar a motivação e a capacidade de atuação. A crise climática não se pode resolver de maneira individual, as afecções mentais, também não.
Se apesar de tomar consciência do problema e procurar alguma das soluções anteriores, os sintomas continuam impedindo desenvolver nossa vida com normalidade, o mais importante é ir a um especialista.
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