Os dados comprovam isso. Segundo o relatório “Mind the Gap 2024”, da Morningstar, o investidor médio obtém aproximadamente um ponto percentual a menos por ano do que os próprios fundos nos quais investe. Não porque os fundos tenham um desempenho ruim, mas porque compra e vende no momento errado.
Qual é parte desse problema? A resposta está nos vieses cognitivos: atalhos mentais que o cérebro utiliza para tomar decisões rápidas e que, aplicados aos investimentos, produzem resultados sistematicamente ruins. A própria CNMV os aborda em seu “Guia de Psicologia Econômica para Investidores” e alerta sobre seu impacto nas decisões financeiras dos poupadores espanhóis.
Neste artigo, vamos explicar os mais “perigosos” para as carteiras.
Aversão às perdas: o viés que custa mais caro
O medo de perder é real, tão real que muitas vezes supera a possibilidade de ganhar algo de valor semelhante. “Na hora de investir, pode acontecer que, para evitar perdas, mantenha-se um investimento com mínimas perspectivas de recuperação e acabe-se perdendo tudo o que foi investido”, explicam da CNMV.
Aplicado aos investimentos, isso produz um resultado devastador: o investidor vende nas quedas (por medo de perder) e fica fora do mercado justamente quando começa a recuperação. Muitas vezes, o investidor não erra ao escolher os fundos, mas ao sair nos piores momentos e entrar tarde nos bons.
No longo prazo, esse viés pode se agravar e evoluir para o chamado “efeito da miopia”. Consiste em ficar obcecado em revisar a carteira diariamente e reagir de forma exagerada a notícias e eventos de curto prazo.
A miopia faz com que o investidor perca a perspectiva do investimento, já que, quanto mais frequentemente olha para a carteira, maiores são as chances de ver perdas e agir impulsivamente.
Viés de confirmação: ouvimos apenas o que queremos ouvir
O hábito de recorrer a fontes de informação que confirmem nossas opiniões também se aplica às finanças, só que aqui pode ser ainda mais perigoso para nossas carteiras do que em áreas como esporte ou política.
É simples: uma vez tomada uma decisão de investimento, o cérebro começa a filtrar informações. Buscamos notícias que confirmem que acertamos, ignoramos as que sugerem o contrário e descartamos quem pensa diferente.
Na prática, esse viés é facilmente alimentado pelas redes sociais e pelos finfluencers, fenômeno que a própria CNMV abordou em seu guia “Do like ao investimento”, publicado em 2026. Seguir apenas quem valida nossas teses é uma das formas mais eficazes de arruinar uma carteira.
Efeito manada: fazer o que todos fazem
Sejamos sinceros: todos nós, em algum momento da vida, já nos deixamos levar pela opinião do grupo. Quando éramos pequenos e fazíamos alguma travessura só porque os amigos queriam. Ou já adultos, seguindo modas que talvez nem combinassem conosco. O mundo dos investimentos não escapa dessa “pressão do grupo”.
Quando os mercados caem e todos vendem, a pressão para fazer o mesmo é quase irresistível. Quando todos compram um determinado tipo de ativo, ficar de fora parece um erro. O efeito manada (ou comportamento gregário) leva investidores a agir contra sua própria análise simplesmente porque os outros estão fazendo o mesmo.
O medo de perder uma oportunidade histórica faz o investidor entrar justamente quando os preços já refletem o otimismo de todos os demais. O problema é que, sem uma estratégia própria, não há critério para saber a hora de sair. E, quando o entusiasmo acaba e chega a correção, quem entrou por impulso costuma ser o último a sair, e quem mais perde. Esse é o verdadeiro problema: o rebanho normalmente chega tarde às tendências, compra quando os preços já estão altos e vende quando eles já caíram.
Outros vieses importantes: viés de ancoragem, viés de recência, excesso de confiança…
Viés de ancoragem: “Não vendo até recuperar o que paguei.” Essa é uma das frases mais comuns entre investidores, e uma das mais caras. O viés de ancoragem nos faz fixar uma referência (o preço de compra ou a máxima histórica de um ativo) e tomar decisões com base nela, em vez de avaliar a situação atual do mercado.
Excesso de confiança: acreditar que se sabe mais do que realmente se sabe é um dos vieses mais comuns, e mais silenciosos. Acreditar que se sabe mais do que realmente se sabe é um dos vieses mais comuns, e mais silenciosos. O investidor excessivamente confiante não percebe que está assumindo mais risco do que imagina: está convencido de que sua análise está correta, de que seu instinto é confiável e de que tudo sairá como espera. O resultado é uma carteira mais concentrada, mais operações e uma avaliação de riscos que não corresponde à realidade. Quando as perdas chegam, costumam ser maiores do que o previsto justamente porque nunca foram consideradas seriamente.
Viés de recência: após uma forte queda da bolsa, o investidor superestima a probabilidade de outra queda e foge. Da mesma forma, depois de um ano excepcional em determinada classe de ativos, assume que ela continuará subindo e concentra ali sua carteira. Ou seja, o cérebro dá mais peso ao que acabou de acontecer do que às evidências históricas, levando o investidor a acreditar que o comportamento recente do mercado continuará no futuro. Como consequência, ele toma decisões justamente no pior momento: compra caro e vende barato.
Como proteger a carteira de si mesmo
Conhecer os vieses não basta para evitá-los: a consciência não desativa os mecanismos emocionais. Mas ajuda a criar barreiras.
Algumas medidas concretas: fazer aportes periódicos automáticos em vez de decidir o tempo todo quando e quanto investir; revisar a carteira com menos frequência, em vez de diariamente; e definir antecipadamente regras de atuação para momentos de queda do mercado, antes que a emoção apareça.
Mas uma das barreiras mais eficazes é contar com um assessor financeiro que atue como contraponto comportamental e impeça o investidor de tomar decisões impulsivas.
A Mapfre conta com uma rede de especialistas financeiros que pode ajudar você a construir e manter uma estratégia de investimento adaptada ao seu perfil, horizonte de tempo e, sobretudo, aos seus próprios vieses. Porque, nos investimentos, tão importante quanto escolher bem é não estragar tudo depois.




