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ECONOMIA| 15.06.2023

O aumento das taxas de juros provoca uma queda de mais de 15% na avaliação dos investimentos das seguradoras espanholas

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  • O relatório da MAPFRE Economics reúne uma queda nos mercados seguradores desenvolvidos e emergentes de 5,7%.
  • Apesar desta queda nos investimentos, o setor foi capaz de manter sólidos níveis de solvência.
  • Um em cada dois euros das carteiras das seguradoras espanholas está investido em dívida pública soberana.

Os aumentos das taxas de juros realizados pelos bancos centrais em 2022 tiveram um forte impacto nas carteiras de investimentos das seguradoras espanholas, que fecharam o ano em 263,165 bilhões de euros em comparação com 311,315 bilhões de 2021, o que representa uma queda de 15,46%, segundo consta no último relatório “Economia Global e Investimentos do Setor Segurador”, elaborado pela MAPFRE Economics e editado pela Fundación MAPFRE RE.

Esta tendência não é exclusiva na Espanha, mas passou nos demais mercados analisados pelo relatório, que incluem tanto os desenvolvidos (Japão, a Zona do Euro, Estados Unidos, Reino Unido e Espanha) como emergentes (Brasil e México). Neste sentido, estes mercados representaram, de maneira agregada em 2022, investimentos no valor de 20,715 bilhões de euros, em comparação com 21,965 bilhões no fechamento de 2021, o que representa uma queda de 5,7%.

Não obstante, a MAPFRE Economics acrescenta que a deterioração nas carteiras de investimentos das entidades seguradoras sofrida em 2022 foi parcialmente compensada pelo efeito positivo que teve a mudança de ciclo do preço do dinheiro sobre a avaliação das provisões técnicas. Estas caíram substancialmente ao descontar os fluxos dos passivos projetados com taxas de desconto mais altas.

O Serviço de Estudos da MAPFRE detalha que, embora o efeito líquido de ambos os fatores sobre os fundos próprios a nível setorial tenha reduzido os índices de solvência em relação ao ano anterior, o setor segurador continuou mantendo uma sólida posição.

“É importante salientar que os altos níveis de solvência e a adequada gestão de riscos permitiram ao setor segurador absorver estas correções dos mercados financeiros. Em geral, após um longo período de baixas taxas de juros, as entidades seguradoras haviam adaptado suas carteiras de investimentos diminuindo as durações de suas carteiras de bônus (o que reduz as perdas geradas pelo aumento das taxas de juros) e mantêm imunizadas com seus passivos os investimentos de renda fixa com durações mais longas “, comenta Ricardo González, diretor de análise, estudos setoriais e regulação da MAPFRE Economics.

González destaca também o bom começo de ano dos mercados financeiros, apesar das turbulências causadas pelos problemas no setor bancário nos Estados Unidos e na Europa.

“Salvo que ressurja algum problema deste tipo, o melhor comportamento da renda variável, o ambiente de taxas de juros mais elevadas e uma inflação baixa podem ajudar a compensar a perda de rentabilidade sofrida pelo setor segurador no ano anterior e ir absorvendo aquelas perdas nas carteiras de bônus que possam ter sido geradas, as quais podem reverter no momento (ainda incerto) em que ocorra um relaxamento da política monetária”, detalha o diretor de análise, estudos setoriais e regulação da MAPFRE Economics.

Composição das carteiras

Em relação à composição das carteiras, as seguradoras espanholas fizeram poucas modificações nos últimos anos, embora se apreciem algumas mudanças, como o aumento em mais de seis pontos percentuais de seus investimentos em fundos de investimento (ao passar de representar 6,5% do total em 2016 para 12,6% em 2022).

A MAPFRE Economics explica que, apesar desse aumento, o investimento das seguradoras espanholas em fundos de investimento continua tendo um peso inferior ao do conjunto da Eurozona, onde se situa em 20,5%.

Por outro lado, prevalecem os investimentos diretos em valores de renda fixa soberana, embora tenham experimentado uma queda de 2,4 pontos percentuais entre 2016 e 2022, situando-se em 51,2% no fechamento de 2022. O mercado espanhol é, dos estudados pelo Serviço de Estudos da MAPFRE, o que maior proporção de sua carteira investe em renda fixa soberana, com 51,2% no fechamento de 2022, quase o dobro de 25,6% da média comunitária.

“Esta posição preeminente da renda fixa explica-se, em boa medida, pelo fato de que o modelo de negócio segurador implica a necessidade de implementar estratégias de investimento orientadas pelas características do passivo, com o propósito de conseguir uma adequada união em prazo e taxa de juros entre os passivos assumidos e os instrumentos de investimento que os apoiam”, assinala Manuel Aguilera, diretor geral da MAPFRE Economics.

Isso explicaria também a pequena dimensão das variações entre os diferentes tipos de ativo, embora a MAPFRE Economics acrescente no relatório que “não é estranho que se produzam rotações, especialmente em duração, em antecipação aos movimentos de taxas de juros de mercado e dos bancos centrais, ou reponderações por rating”.

A nível internacional, os Estados Unidos contam com maiores investimentos em renda fixa corporativa, acima do restante dos mercados seguradores desenvolvidos compreendidos no relatório. Em termos gerais, a aposta das seguradoras por este tipo de ativo aumentou de forma significativa em 2022 até alcançar 47,5% de seus investimentos, em comparação com 40,9% do ano anterior.

O mercado segurador japonês, por sua vez, apresenta uma elevada porcentagem de investimentos em moeda estrangeira, incluídos no item ‘Outros investimentos’, que representam 29,5% de sua carteira total, tendo experimentado uma redução de 2,6 pontos percentuais em relação a 2021.