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SUSTENTABILIDADE| 11.06.2024

Como frear a solidão dos idosos

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A solidão indesejada tem se tornado um sentimento cada vez mais comum, especialmente entre as pessoas mais velhas, que são mais afetadas pela exclusão digital e pelo vazio do mundo rural. Para frear esta realidade, a Fundación Colisée acompanha todos os anos mais de mil idosos para fomentar um envelhecimento saudável e ativo.

Paula Jimeno Uma das principais chaves para que os idosos não se sintam sozinhos é o diálogo e a escuta ativa. Só assim se consegue alegrar o dia e devolver o desejo de viver a muitas pessoas. Assim acredita Paula Jimeno (Cuenca, 1997), psicóloga e coordenadora do programa Rede de Ação Rural da Fundación Colisée, dirigida a combater esta epidemia silenciosa que sofrem os idosos em áreas rurais por meio da socialização e do sentimento de comunidade.

O que significa solidão indesejada e o que acredita que impulsionou seu aumento?

Essas são situações em que as pessoas são involuntariamente isoladas ou se sentem solitárias, seja porque perderam um ente querido ou porque seu entorno se mudou para outra cidade em busca de melhores oportunidades de trabalho. A principal mudança social que provocou essa situação foi a pandemia, mas também o aumento da tecnologia, que está diminuindo nossa interação física e aumentando a exclusão digital entre os idosos, causando assim seu isolamento social. Além disso, a mobilidade geográfica dos núcleos rurais para as áreas urbanas influencia no aumento desta problemática e agrava o despovoamento da Espanha esvaziada.

Como você acha que a solidão incide no bem-estar físico e emocional?

Verificamos que tem uma relação direta com o bem-estar emocional, o que se traduz em um aumento dos sintomas de ansiedade e inclusive do desenvolvimento de doenças psiquiátricas. Além disso, este sentimento provoca uma baixa autoestima, que faz com que as pessoas acreditem que não são suficientes e, como consequência, se afastam do seu entorno. Em nível físico, cada vez mais estudos científicos mostram que há uma correlação em nível imunológico, dado o nível reduzido de atividade que também leva a um enfraquecimento das articulações, além de um grande impacto no nível de produção de linguagem, já que quase não há conversas diárias. Além disso, tanto o isolamento social real como o percebido estão relacionados com um aumento da mortalidade precoce, o que torna necessário agir com urgência.

De que maneira impulsionam a socialização? 

Nossa missão é promover o envelhecimento bem-sucedido, saudável e ativo das pessoas em todas as etapas de sua vida, para que este processo seja uma experiência positiva e uma oportunidade para o crescimento pessoal. Intervimos de forma individualizada, adaptando-nos às necessidades de cada pessoa e ensinando-lhes desde fazer uma vídeo chamada até solicitar uma consulta médica, acompanhando-os e oferecendo-lhes uma conversa. Buscamos sua autonomia pessoal, ao mesmo tempo em que apostamos pela aproximação ao seu entorno mais próximo como estratégia para eliminar barreiras que permitam fomentar o bem-estar social comunitário.

O programa Rede de Ação Rural avalia e detecta situações de solidão fora dos núcleos urbanos. Que atividades integra? O que você encontrará?

Em um primeiro momento, nós identificamos que não havia nenhum tipo de atendimento em áreas rurais, onde existe maior envelhecimento da população, o que nos fez implementar o programa Rede de Ação Rural. Esta iniciativa pretende gerar uma rede de acompanhamento para favorecer a permanência das pessoas idosas em seu ambiente rural, mais concretamente na comarca de Rincón de Ademuz, na Comunidade Valenciana, onde lhes oferecemos serviços e apoio para reverter esta situação. Atualmente, contamos com uma grande quantidade de beneficiários. Vemos que as pessoas têm dificuldade em reconhecer que se sentem sozinhas porque ainda hoje continua existindo preconceitos em torno disso. Muita gente entende a solidão como uma maneira de rejeição ou de se sentir não querido pelo seu entorno, mas nem sempre é assim.

Que desafios temos como sociedade para frear este fenômeno?

Vivemos em um sistema individualista, em que muitas vezes priorizamos nossa independência em vez de pertencer a uma comunidade. Além disso, a tecnologia fez com que diminuíssemos nossas interações físicas, agravando assim o problema. Acho que o desafio da sociedade é gerar mais comunidade, para que possamos nos sentir parte de algo. Dessa forma, fortaleceremos os vínculos cooperativos necessários para entender como uma pessoa que está sofrendo de solidão pode se sentir e ajudá-la a minimizar esse sentimento. Não há satisfação maior do que quando uma pessoa que você ajuda lhe diz que você a fez ganhar o dia e deu a ela um gosto pela vida.

Como uma pessoa que deseja ajudar pode participar desses projetos?

Temos um programa chamado Recibe Más, que é uma rede de voluntários graças à qual as pessoas vão, pelo menos uma vez por semana, a asilos e outros tipos de centros para fazer companhia aos idosos e realizar atividades das quais participam idosos, adultos e crianças. 

O sentimento de solidão também é cada vez maior entre os jovens. O que você acha que está acontecendo?

Todos nós nos sentimos sozinhos em alguma ocasião. Ocorre em todas as etapas do ciclo de vida, no entanto, os idosos são mais vulneráveis porque são mais dependentes devido às perdas funcionais derivadas da idade e não contam com os mesmos recursos que os mais jovens. A verdade é que não sabemos como nos sentir à vontade com nós mesmos e temos medo de nos sentirmos solitários. Isso é algo sobre o qual devemos refletir. 

Como empresas como a MAPFRE podem contribuir para aliviar este problema psicossocial?

Empresas como a MAPFRE podem contribuir de diferentes formas, por exemplo, colaborando com entidades de caráter social através da realização de atividades de voluntariado corporativo que permitam criar uma comunidade e trocar experiências e vivências. Além disso, uma forma de visibilizar os problemas presentes no âmbito social é conferindo voz a figuras especializadas, já que nos permite divulgar os projetos com os quais trabalhamos, tais como os que realizamos na Fundación Colisée. Desta forma, poderemos continuar desenvolvendo nosso trabalho, bem como continuar crescendo em diferentes partes do território com o objetivo de alcançar cada vez mais pessoas.

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