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SEGUROS| 30.04.2024

A tensão no Oriente Médio tem impacto nos riscos do tráfego marítimo

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O mar é a via mais comum pela qual os bens e materiais de consumo são transportados, portanto, as grandes rotas marítimas são vitais para a sustentação do comércio internacional. Os conflitos no Oriente Médio, com a ofensiva de Israel em Gaza, somados à troca de ataques com o Irã, têm afetado algumas das principais passagens mundiais, como o Mar Vermelho e o Estreito de Ormuz, movimento que já causou impacto nas empresas que seguram estes riscos e no próprio tráfego nessas áreas.

Os efeitos das complexidades geopolíticas são limitados para o setor segurador, além dos países envolvidos, e viriam em forma indireta, como explica a MAPFRE Economics. Uma das consequências mais notáveis seria o aumento da inflação, causado, em grande parte, por um incremento no preço do petróleo, que atingiria novamente às empresas em seus custos e contas de resultados. Uma inflação maior também pode mudar o cenário econômico e aspectos como as políticas monetárias podem ter impacto nas carteiras das seguradoras, como explica a MAPFRE Economics.

Por outro lado, o setor dos seguros marítimos (conhecido como marine) lida com os riscos da guerra no dia a dia. Eles cobrem os danos causados pelos riscos da navegação e uma de suas coberturas é “guerra e greve”, que inclui atos de guerra, violência armada, captura de embarcações ou terrorismo, entre outros casos derivados de cenários de conflitos regionais.

A tensão no Oriente Médio tem impacto nos riscos do tráfego marítimo

De fato, momentos como o atual assinalam a importância deste setor, diz Javier Alonso, Head of Marine na MAPFRE RE, porque o comércio internacional e a navegação por certas áreas dificilmente seriam possíveis sem uma proteção seguradora para cargas e navios que podem valer centenas de milhões de euros. Por exemplo, a saída do trigo ucraniano, quando seus portos foram reabertos, contou com o apoio de seguradoras especializadas.

Ao mesmo tempo, trata-se de um seguro muito técnico, com condicionantes e controles, para poder gerenciar riscos potencialmente tão altos. Isso inclui o estabelecimento de zonas, as mais perigosas, nas quais o seguro não é automático e onde é necessário notificar à seguradora e, às vezes, envolvendo o pagamento de um prêmio adicional, para adequá-lo a um risco que muda tão rapidamente quanto a situação política.

O Mar Vermelho e o Estreito de Ormuz, pontos cruciais pela ameaça de houthis e do Irã

Quando o Hamas atacou Israel, em 07 de outubro, em uma ação terrorista que desencadeou uma violenta resposta israelense, os ecos do conflito se espalharam em toda a região. Não tanto nas costas de Israel e Gaza, onde, além do drama humanitário, as capacidades de Israel fazem com que o tráfego continue sendo relativamente seguro, mas em áreas vulneráveis a agressões dos aliados de Palestina.

  • O Mar Vermelho, uma região que há algum tempo é mencionada por pirataria nas Listed Areas das seguradoras, voltou ao centro das atenções quando os houthis do Iêmen capturaram, em novembro, um navio mercante vinculado a Israel, que ainda permanece sequestrado junto com seus 25 tripulantes. Esse foi o caso mais notável, mas esta facção iemenita continuou seus ataques com mísseis nos navios que podem estar ligados a Israel ou a seus aliados. Estes ataques, que se caracterizaram por serem indiscriminados e de pouca precisão, atingiram vários navios ocidentais e impulsionaram os riscos da região.
  • Mais ao leste, a escalada entre Irã e Israel, e a troca de ataques em abril, representou um ponto de virada para o tráfego no Golfo Pérsico. Esta área, que concentra uma das maiores produções de gás e petróleo mundiais, é particularmente crítica para o comércio no Estreito de Ormuz, um gargalo que obriga todos os navios a passarem muito perto das costas iranianas. Em 13 de abril, esta ameaça se tornou realidade quando as autoridades iranianas apreenderam um navio também ligado a um empresário israelense.

“São duas situações diferentes, no Estreito de Ormuz todos os navios, especialmente os ocidentais, são alvos potenciais para os houthis, embora esse seja um risco mais limitado, que também pode ser evitado contornando a África. No Estreito de Ormuz há uma incerteza permanente ao passar em frente ao Irã”, explica Javier Alonso.

Ambas tiveram repercussão nos seguros marítimos, “um mercado pequeno e muito ligado à atualidade”, como descrito pelo responsável pela área na MAPFRE RE. Embora as tensões e declarações entre governos ou facções enfrentados sejam comuns no Oriente Médio, as capturas de navios, especialmente a realizada pelo Irã, tiveram impacto no mercado, que “reage mais aos fatos do que às palavras”, disse Javier Alonso.

O maior perigo fez com que nas “zonas quentes”, onde antes podia ser necessária uma simples notificação à seguradora, agora seja necessário o pagamento de um prêmio adicional pela passagem por elas que pode chegar, em média, a 1 e 4% do valor segurado, um montante muito elevado para os padrões do setor.

O aumento do risco teve efeitos nas próprias rotas marítimas. O Mar Vermelho é a porta de entrada para o Canal de Suez, uma passagem importantíssima que já sofreu a diminuição do tráfego, porque muitos armadores optam pela rota que limita com o sul da África, mais longa e cara. Por outro lado, o comércio marítimo com o Golfo Pérsico, incluindo um importante volume de transporte de petróleo, não tem alternativa à navegação pelo Estreito de Ormuz.

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