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SUSTENTABILIDADE | 04.05.2020

José Magro, diretor de Sustentabilidade da AENOR “A sociedade exige empresas com valores”

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A sustentabilidade diz respeito a bem-estar, igualdade, consumo responsável e proteção ambiental. São alguns dos valores promovidos por muitas marcas e o que lhes permite agregar ao progresso social e econômico. Além disso, o que lhes permite se conectar com a sociedade e melhorar sua reputação. É nisso que acredita o diretor de Sustentabilidade da AENOR, uma entidade que ajuda as organizações a revisar suas boas práticas em termos de qualidade, meio ambiente e responsabilidade social, e acaba de certificar o primeiro evento sustentável da MAPFRE.

O que é um evento sustentável?

José MagroÉ um conceito relativamente novo na Espanha, mas que está gradualmente ganhando mais peso. As empresas que decidem organizar um evento de maneira sustentável demonstram um firme compromisso com vários aspectos, da igualdade de oportunidades, à inclusão e proteção do meio ambiente. Também fortalece a transparência e considera como relevantes aos grupos de interesse. É um trabalho que leva meses, que exige grande planejamento e coordenação para atender a objetivos e ações exigentes em todas as suas fases e que é avaliado e auditado antes, durante e após o evento. A referência para esta certificação é a norma ISO 20121.

Que tipo de ações implica um ato desse tipo?

As empresas que organizam esses eventos conseguem minimizar grande parte do impacto ambiental gerado, como geração de resíduos, alto consumo de recursos (água e eletricidade) e poluição atmosférica, acústica e luminosa. Também é promovido o uso de transporte público e de bicicleta, como meios de transporte ao lugar da realização, é facilitado o acesso a pessoas com mobilidade reduzida e opta-se por usar produtos de comércio justo e outros próximos à localização do evento. Tudo isso, sem dúvida, ajuda a reduzir o impacto no transporte.

Que importância tem a comunicação nesses tipos de atos?

É um requisito fundamental desde o início, uma vez que envolve conversar proativamente com as partes interessadas para saber o que elas esperam do evento, que impacto ela pode ter e quais oportunidades podem ser geradas, algo fundamental para valorizar determinadas ações e até novos modelos de negócio. Nesse sentido, obter feedback é essencial para o planejamento e não deixar ninguém de fora. A comunicação também chega ao final. Um evento sustentável implica um esforço e um compromisso que devem ser comunicados à sociedade. Acreditamos ser muito importante que as empresas que organizam esses atos e reuniões transmitam esses valores às pessoas que atendem e participam, aproveitem todas as boas práticas ambientais, sociais e econômicas implementadas e que estejam cientes do benefício que implica para o planeta como um todo. Um evento sustentável deve se tornar um modelo para muitos.

Quais os benefícios desses tipos de eventos?

Estamos falando de um evento em que a sustentabilidade faz parte de todo o ciclo, e em que todos os processos, desde seu planejamento, até sua celebração e desmontagem, são realizados com o objetivo de maximizar a contribuição à economia local e de melhorar o meio ambiente e o compromisso social. Também representam um compromisso com as pessoas, especificamente com a igualdade, pois, diante da organização do evento, homens e mulheres são contratados sem discriminação e existem pessoas procedentes de grupos em risco de exclusão social e pessoas com deficiência.

 

“A sustentabilidade é um conjunto de valores que uma empresa tem ou deve ter e que a sociedade espera.”

Como evoluiu o compromisso das empresas com a sustentabilidade?

Penso que em 2004 e 2005 não havia quem falasse de mudanças climáticas e energia, e as estratégias das grandes corporações focavam nisso. Depois de algum tempo, entre 2015 e 2016, outra tendência apareceu da parte da Europa, que é a economia circular, e as empresas atualizam as estratégias de negócios e marcam grandes compromissos que devem ser reduzidos, como no âmbito de resíduos ou prevenção. Agora, a referência de ação são os objetivos de desenvolvimento sustentável, os ODS. Estes podem ser considerados “caixas” em que estão agrupadas as grandes questões da sustentabilidade e toda a Governança em matéria de RSE que uma empresa pode ter e que as organizações devem analisar para descobrir com quais se identificam e como podem contribuir. Isso é muito importante. É o que em nosso jargão chamamos de análise de materialidade, que nada mais é do que uma reflexão proativa, interna e externa, com todas as partes interessadas, a fim de identificar quais desses ODS são relevantes e prioritários para todos, ter claro o caminho e estabelecer uma estratégia coerente.

Para onde vamos?

As tendências marcadas na Europa, como território de referência em termos de sustentabilidade, se espalharam rapidamente para outros países e vemos como países como Chile e Peru, por exemplo, colocaram as baterias e estão avançando muito rapidamente em compromissos com o meio ambiente. A Europa marca o fluxo e o estende a outros países, que se tornam espelhos, e isso é muito importante.

Você acha que as empresas entram na moda da sustentabilidade ou o fazem por convicção?

Acredito que um pouco de tudo é produzido e isso se deve principalmente ao fato de existirem alavancas muito fortes para trabalhar pela sustentabilidade. Uma das razões são os investidores, que levam em consideração o risco de reputação, essa percepção negativa que a sociedade tem sobre a empresa e que resulta na perda direta ou indireta do valor da empresa. As grandes empresas, as que estão no IBEX, têm isso bastante claro e o transferem para sua cadeia de valor, o que significa que a sustentabilidade chega a mais pessoas. Há também aquelas que fabricam e que todos os dias estão mais conscientes da importância de produzir com materiais responsáveis e cuidar dos resíduos que geram. Por isso que é uma tendência? É possível, porque no final tudo isso chega às ruas, mas acho que não é uma moda. Acredito que perdura em suas estratégias e permeia todos os setores, do alimentício à construção.

Como você definiria a sustentabilidade?

A sustentabilidade é um conjunto de valores que uma empresa tem ou deve ter, e que a sociedade espera. O consumidor sabe o que é certo e errado, sabe o que chega ao seu coração e o que não chega, e isso o faz escolher um produto ou serviço determinado. Se usarmos os ODS como referência, veremos que há 17 “caixas” vinculadas a questões como saúde, pobreza, educação, igualdade, paz ou trabalho decente, com as quais as empresas se comprometem por meio de ações concretas. Eu destacaria um fator fundamental em tudo isso, que são as alianças, porque a sustentabilidade não é possível sozinha. Para funcionar bem, deve poder ser feito em equipe. A sustentabilidade é um compromisso de muitos.

 

“As grandes empresas, as que estão no IBEX, têm isso claro e o transferem para sua cadeia de valor, o que significa que a sustentabilidade chega a mais pessoas”

Quais empresas estão se saindo bem?

Eu gosto muito do caso Iberdrola, porque a sustentabilidade para eles é um pilar. Isso significa que eles a integram em toda a sua estratégia e em sua maneira de trabalhar. Do setor bancário, eu destacaria seu compromisso com o investimento socialmente responsável, que também é a alavanca para que outras pessoas possam agir, ter recursos econômicos destinados a projetos que contam com essa variável de sustentabilidade. E do setor de alimentício, por exemplo, eu também diria que ele teve que agir muito rapidamente em aspectos da economia circular, origem responsável de suas matérias-primas e transparência na rotulagem de produtos. Todos os setores têm a capacidade de ação e isso está sendo demonstrado.

A Espanha está no caminho certo da sustentabilidade?

Na parte ambiental, estão sendo feitos progressos porque há cada vez mais regulamentação. No aspecto social, pode-se dizer que estamos em um nível leve. Acredito que na Espanha temos a sorte de pertencer ao contexto europeu, que é líder e assume compromissos específicos, que coloca uma agenda ambiciosa em cima da mesa, como o Pacto Verde, aceitado voluntariamente pela Europa e que estabelecerá desafios importantes (jurídicos) para as empresas em matéria de energia, mudanças climáticas, economia circular e neutralidade, entre outras.