O interesse pelos seguros paramétricos reflete uma realidade cada vez mais evidente para o setor segurador: os riscos climáticos aumentam em relação com sua frequência, intensidade e complexidade. Isto exige o desenvolvimento de soluções capazes de responder com rapidez e de forma eficiente.
Neste cenário, os seguros paramétricos oferecem uma vantagem clara. Ao serem acionados quando um indicador objetivo, como por exemplo a chuva acumulada, a velocidade do vento ou a magnitude de um terremoto, supera um limite definido, eles permitem acelerar o pagamento de indenizações e reduzem os tempos de resposta após um evento extremo.
Para Alessio Beninati, Strategic Innovation Manager da Mapfre, esta rapidez representa um diferencial importante em certos contextos. “Os seguros paramétricos se destacam por sua capacidade de oferecer pagamentos rápidos e automatizados, especialmente em desastres climáticos e riscos complexos, onde é muito importante processar o dinheiro com agilidade”.
Este modelo funciona como um bom complemento para os seguros tradicionais, pois permite superar alguns de seus limites operacionais. Como não exige peritagens presenciais para a ativação dos pagamentos, as coberturas paramétricas podem ser aplicadas em áreas rurais ou territórios onde a avaliação dos danos resulta uma questão complexa.
Esta característica é especialmente relevante na América Latina, região com alto risco de fenômenos naturais e uma penetração seguradora ainda reduzida, de apenas 3%, conforme apresentado pela Mapfre na última edição do ITC Vegas.
Para Daniel Meilán, diretor de Desenvolvimento de Negócio Não Vida na Mapfre, os seguros paramétricos podem contribuir para reduzir essa lacuna, pois “estão se consolidando como uma solução muito valiosa em regiões como a América Latina, onde a exposição a fenômenos naturais é elevada”.
As tendências que marcarão 2026
De acordo com o relatório Insurance Top Trends 2026 da Capgemini, o setor segurador está fortalecendo suas capacidades de análise por meio de dados climáticos de alta resolução, análise preditiva e novas ferramentas de modelagem de riscos. Estas tecnologias permitem prever melhor o impacto dos desastres naturais e criar soluções de seguros paramétricos mais precisas.
Para Jaime de Piniés, CEO da Blue Marble, este avanço tecnológico explica boa parte do crescimento deste tipo de seguros. “O auge dos seguros paramétricos responde à combinação de uma tecnologia avançada com uma necessidade de mercado crescente”, afirma.
O acesso a novas fontes de dados também está transformando o design desses produtos. “Hoje utilizamos bancos de dados alternativos, como por exemplo satélites, que são muito mais granulares. E, graças à Inteligência Artificial, processamos essas informações com uma eficiência nunca vista”, comenta de Piniés.
Essa maior precisão permite desenhar coberturas personalizadas para riscos específicos, desde secas até chuvas extremas, e abre espaço para modelos híbridos que combinam seguros tradicionais com camadas paramétricas.
A aposta da Mapfre nos seguros paramétricos
Neste cenário, a Mapfre dá mais um passo em sua aposta nos seguros paramétricos com o investimento na Blue Marble, consórcio global especializado no desenvolvimento de seguros paramétricos e microsseguros.
O objetivo é acelerar a criação dessas soluções e expandir sua aplicação em mercados onde a lacuna de proteção continua sendo elevada, especialmente na América Latina.
A parceria une capacidades complementares. A Blue Marble traz a experiência no design de soluções paramétricas e seguros de impacto, enquanto a Mapfre contribui com sua vasta presença na região e seu conhecimento dos mercados locais.
Para Jaime de Piniés, esta colaboração possui um forte potencial de desenvolvimento: “A Mapfre disponibiliza uma rede de distribuição e uma base de clientes sem igual, além de um profundo conhecimento das necessidades locais”.
Sob a ótica da inovação, fazer parte do consórcio também garante o acesso a conhecimento especializado. Alessio Beninati ressalta que esta parceria proporciona à Mapfre “informações muito valiosas para gerar aprendizagens estratégicas dentro do setor paramétrico”.
Para Daniel Meilán, esta iniciativa viabilizará o desenvolvimento de novas capacidades em microsseguros e proteção contra riscos climáticos, enquanto “facilitará o acesso ao seguro a comunidades que até agora contavam com menos opções de cobertura”.
Em um cenário definido pela mudança climática e pela crescente complexidade dos riscos, os seguros paramétricos surgem como um recurso cada vez mais relevante para complementar o seguro tradicional e expandir o acesso à proteção. Para a Mapfre, seu desenvolvimento representa uma oportunidade para combinar inovação, negócio e impacto social nos mercados em que atua.