Num mundo com grandes desafios sociais e ambientais, o investimento de impacto social surge como uma alternativa poderosa para transformar o sistema financeiro em motor de mudança positiva. Este tipo de investimento, que combina a rentabilidade econômica com a intenção de gerar um impacto social ou ambiental mensurável, ganhou protagonismo nos últimos anos. No entanto, seu potencial ainda está longe de ser plenamente aproveitado, como aponta um recente relatório elaborado pela Cátedra de Impacto Social da Universidade Pontifícia Comillas, elaborado no âmbito da 4ª Conferência Internacional sobre o Financiamento para o Desenvolvimento (4FfD). 

O investimento de impacto não é uma ideia nova, mas ganhou força na última década como resposta à crescente necessidade de financiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Diferentemente de outras formas de investimento sustentável, que podem se limitar a excluir setores controvertidos ou aplicar critérios ESG, o investimento de impacto é definido por sua intencionalidade: procura ativamente gerar uma mudança positiva e mensurável na sociedade ou no meio ambiente. Isto pode se materializar em projetos que promovam a inclusão financeira, o acesso à educação, a saúde, a igualdade de gênero ou a proteção do meio ambiente, entre outros. 

O relatório destaca que, embora os fluxos de investimento de impacto cresceram de forma sustentável, continuam sendo insuficientes para fechar a lacuna de financiamento dos ODS. Em 2022, os ativos administrados sob esta modalidade ultrapassaram 1,1 trilhões de dólares em nível mundial, mas a maioria desses recursos concentrou-se em países desenvolvidos, principalmente Estados Unidos, Canadá e Europa Ocidental. Apenas uma pequena fração chegou a regiões como a África subsaariana, onde são mais necessários. Esta disparidade reflete um dos principais desafios do setor: a alta percepção de risco enfrentados pelos investidores ao operar em contextos de baixa renda ou com alta volatilidade econômica. 

O relatório também aponta para os fatores que limitam a mobilização de capital privado. Entre eles, a falta de dados confiáveis para avaliar o impacto, a escassa disponibilidade de instrumentos financeiros adaptados às necessidades locais e a dificuldade de acessar o financiamento em moeda local. Além disso, muitas PMEs, especialmente em países em desenvolvimento, não podem absorver os grandes volumes de investimento que costumam lidar com os fundos internacionais, o que as deixa fora do radar dos investidores, um fenômeno de oportunidades desaproveitadas conhecido como missing middle. 

Um roteiro para soluções mais eficazes

Diante desses desafios, a Cátedra de Impacto Social, com o apoio da Mapfre, propõe três linhas estratégicas de ação: