A Mapfre acaba de concluir uma emissão de dívida sênior unsecured no valor total de 1 bilhão de euros dividido em duas séries de 500 milhões (uma a seis e outra a dez anos, com taxas de juros fixas de 3,125% e 3,625%, respectivamente) e a operação foi direcionada exclusivamente a investidores profissionais.

A empresa conseguiu finalizar, com sucesso e em condições favoráveis, esta operação sob um novo programa de dívida, após registrar uma demanda entre os investidores cinco vezes superior que a da oferta. Com esses fundos, a Mapfre pretende refinanciar próximos vencimentos, preservar a flexibilidade financeira e diversificar as fontes de financiamento.

A seguir, são detalhados os cinco pontos fundamentais da operação:

1. Qual é o propósito da emissão?

Com o bilhão de euros captado, a Mapfre antecipa o refinanciamento de um título sênior de 857 milhões cujo vencimento ocorre em maio. A emissão serve para atender às necessidades rotineiras do grupo e, no momento, não existe previsão de outras necessidades extraordinárias (por exemplo, abordagem de operações corporativas).

2. Por que escolher este momento? Há quanto tempo está trabalhando na operação?

A Mapfre soube aproveitar um cenário favorável. A situação do mercado é atualmente boa para a renda fixa. Por um lado, porque as taxas de juros estão em níveis baixos, o que possibilita o financiamento com um custo menor. Mas também porque “janeiro é um mês tradicional para a construção de carteiras, com um mercado primário muito ativo e com muita demanda de títulos por parte dos investidores”, esclarece Leandra Clark, diretora de Relações com Investidores e Mercado de Capitais.

Para poder aproveitar este momento, “várias equipes trabalharam intensamente ao longo de 2025, incluindo a Área Financeira, Riscos, Secretaria Geral, Assessoria Jurídica e Relações com Investidores. Tudo isto com o objetivo de poder lançar um programa de emissão de dívida (conhecido como EMTN) que oferece a agilidade necessária para acessar o mercado em períodos tão atraentes quanto o de janeiro. Além disso, o programa servirá como marco para futuras operações”, ressalta Leandra Clark.

Uma demanda total superior a 5 bilhões para uma emissão de 1 bilhão, “confirma um momento técnico muito favorável para a emissão, com investidores demonstrando um forte apetite pelos títulos da Mapfre”, completa Eduardo García Castro, economista da Mapfre Economics. “Por sua vez, este apetite é sustentado por spreads ajustados por risco que continuam firmes e em compressão gradual, refletindo um mercado com liquidez sólida e confiança na qualidade creditícia de emissor”, finaliza.

3. Por que estes prazos e o tipo de título sênior foram escolhidos?

A estrutura de capital do grupo é muito estável e é majoritariamente composta por patrimônio.

Para a Mapfre, uma emissão de títulos sênior como esta representa, principalmente, “uma fonte de financiamento de longo prazo adicional aos fundos próprios, que nos possibilita manter nossa flexibilidade financeira em relação a emissões futuras”. Ao dividir a emissão em duas séries, “diversificamos o perfil de vencimentos para evitar refinanciar um grande volume em um único exercício”, acrescenta Leandra Clark.

Considerando a nossa elevada taxa de Solvência atual, em 210%, acima da média de nossa faixa alvo pública (175 – 225%), foi emitida dívida sênior unsecured com vencimento fixo e sem capacidade de absorção de perdas. Portanto, não é considerado como instrumento de capital para fins regulatórios.

As normas de Solvência visam garantir que as seguradoras disponham de níveis de capital apropriados. Por esse motivo, além da dívida sênior, a Mapfre já conta em seu balanço com três instrumentos subordinados que, embora possuam formato de dívida, são considerados na hora de calcular as taxas de solvência do grupo e que possuem capacidade de absorção de perdas.

O objetivo estratégico da Mapfre é manter uma taxa de alavancagem em torno de 24%. Com a atual abordagem “disciplinada” na gestão de capital e dívida, a empresa mantém este nível de alavancagem abaixo do objetivo.

4. Como o balanço da Mapfre se compara com o de outros grandes grupos seguradores?

O balanço da Mapfre possui um perfil muito conservador. Isso fica evidente pelos baixos níveis de dívida em comparação com outros concorrentes, e porque “nossa taxa de Solvência apresenta menor sensibilidade às oscilações do mercado”, destaca Leandra Clark.

Outro diferencial do balanço da Mapfre é nossa carteira de investimentos “altamente diversificada, focada em instrumentos líquidos e, majoritariamente, com grau de investimento”, aponta Beatriz Ranea, da equipe de Relações com Investidores. Essa solidez possibilitou as principais agências de classificação de crédito melhorarem a perspectiva e o rating da Mapfre nos mercados ao longo do último ano.

5. Existe algum outro motivo que justifique o sucesso desta emissão?

“Nossa filosofia, na equipe de Relações com Investidores, é trabalhar continuamente com nossa base investidora de renda fixa, independentemente de termos necessidades imediatas de sair ao mercado”, afirma Leandra Clark. “Nos últimos 18 meses, participamos de aproximadamente 25 palestras em vários países (Alemanha, Itália, França, Reino Unido, Dinamarca, Finlândia, Países Baixos e, é claro, Espanha), muitas vezes acompanhados por integrantes da Diretoria Executiva. Foram organizados eventos com investidores e analistas, além de ampliar as informações em nossas apresentações. Tudo isso foi feito para facilitar o trabalho prévio realizado pelos investidores de renda fixa para poder tomar a decisão de participar de nossa emissão”.