A Mapfre, a maior seguradora multinacional da América Latina, participou da XI edição do Encontro de Empresas Multilatinas, um espaço voltado à reflexão sobre o rumo econômico da Ibero-América e o papel de seu setor privado, promovido na Universidade Internacional Menéndez Pelayo (UIMP), em Santander.

Durante três dias, o encontro reuniu representantes de grandes empresas, administrações públicas e organizações internacionais (como o BID ou a CAF), com a organização da Fundación Iberoamericana Empresarial e às vésperas da próxima Cúpula Ibero-Americana que ocorrerá em Madri.

Em uma mesa redonda sobre o cenário econômico da América Latina, Manuel Aguilera, diretor geral da Mapfre Economics, abordou os fatores que limitaram seu crescimento nas últimas décadas, destacando o déficit crônico de poupança e investimento, um aspecto em que os seguros atuam como parte da solução. Ainda, ele ressaltou que os seguros “fazem funcionar melhor” a economia, cumprindo sua função de proteção e otimização dos recursos para famílias e empresas.

Aguilera também apresentou a grande lacuna de proteção seguradora existente na região, estimada em mais de 315.000 milhões de dólares. Embora este número tenha crescido em termos absolutos, é menor em proporção, caindo de 2,4 vezes o tamanho real do mercado em 2010 para 1,5 vezes no cenário atual. 

No Encontro de Empresas Multilatinas, outros assuntos entraram na pauta, como as oportunidades decorrentes do acordo UE-Mercosul, a agenda econômica na União Europeia, a segurança econômica na Latam como contexto necessário para os investimentos, além dos desafios das cidades latino-americanas e seu desenvolvimento.

Em todos estes temas, os palestrantes reforçaram a necessidade de estreitar a colaboração e os laços econômicos regionais e entre ambos os lados do Atlântico, sobretudo em um contexto em que outros atores, como os Estados Unidos, vêm enfraquecendo consensos internacionais e desgastando o multilateralismo e o comércio internacional.

Os seguros como peça-chave na resposta aos desastres naturais

O encontro também reservou um painel ao setor segurador e aos desastres naturais, sob a moderação de Eva Piera, que ressaltou que a América Latina é uma das regiões mais vulneráveis a essas ameaças. A principal preocupação quanto a este ponto, afirmou Manuel Aguilera, reside nas vulnerabilidades que ainda persistem, com a concentração da população de baixa e baixíssima renda, e de valor em grandes cidades ou áreas turísticas.

Aguilera ressaltou que, observando a experiência internacional, os esquemas de proteção que se mostraram efetivos e capazes de apoiar a recuperação dos impactos combinam seguros e colaboração público-privada, pois permitem mobilizar recursos rapidamente para a reconstrução e aliviam desse gasto os orçamentos públicos, que historicamente acabavam assumindo o custo.