A transformação digital redesenha as habilidades necessárias para quase qualquer função. O relatório “Panorama Econômico e Setorial 2026” da Fundación Mapfre aponta que a digitalização transforma de maneira estrutural o mercado de trabalho e direciona o valor profissional para capacidades de análise, criativas e ligadas à tomada de decisões.
Neste panorama, o reskilling e o upskilling na era da IA assumem um papel estratégico nas empresas. O reskilling significa capacitar as pessoas para assumir novas funções dentro da organização, enquanto o upskilling visa atualizar ou expandir as habilidades ligadas ao posto atual.
Ambos os conceitos atendem a uma mesma necessidade: ajustar as capacidades profissionais a um cenário cada vez mais digital, automatizado e focado em dados.
As projeções internacionais também demonstram a velocidade desta transição:
- O Fórum Econômico Mundial analisa em seu relatório ‘The Future of Jobs Report 2025’ que, até 2030, uma mudança de 39% ocorrerá nas principais habilidades dos trabalhadores.
- O mesmo estudo prevê a criação de 19 milhões de postos de trabalho e a substituição de 9 milhões devido ao efeito de transformação tecnológica e econômica.
- O LinkedIn indica em seu estudo ‘Work Change Report 2025’ que 70% das habilidades utilizadas na maior parte dos empregos mudará antes de 2030.
A formação contínua se torna uma prioridade estratégica
A velocidade da mudança tecnológica encurta a vida útil de muitas habilidades profissionais. O estudo “Panorama Econômico e Setorial 2026”, da Fundación Mapfre, reforça que a aprendizagem contínua ganha relevância e cresce a busca por perfis com capacidades digitais avançadas ligadas a dados, tecnologia e adaptação à mudança.
Na Mapfre, esta evolução integra a estratégia de talento da empresa. María Narváez, diretora corporativa de Talento da Mapfre, esclarece que o reskilling e o upskilling “não representam uma opção, mas sim um requisito necessário para a sustentabilidade de qualquer organização”. E complementa que a principal habilidade já não será mais o domínio de uma tecnologia específica, mas manter a capacidade de aprender, desaprender e voltar a aprender conforme o ambiente evolui. A capacidade de adaptação virou uma habilidade tão valiosa quanto o próprio conhecimento técnico.
Com base nisso, a Mapfre une a incorporação de novos perfis especializados ao aprimoramento de capacidades internas. “A inteligência artificial gera um duplo impacto em nossa estratégia de talento. Precisamos integrar perfis especializados para continuar evoluindo nessas capacidades. Por outro lado, desejamos que qualquer profissional possa utilizá-las com critério para trabalhar ainda melhor. A implementação da IA não é mais um desafio tecnológico; ela se mostra, acima de tudo, como um desafio de capacidades”, destaca Narváez.
“Não estamos formando somente especialistas em inteligência artificial. Estamos ajudando todos os profissionais a integrarem estas habilidades em sua rotina diária, seja qual for sua função. O objetivo é que a IA seja incorporada na forma de trabalhar de toda a organização. De fato, nosso programa interno “Nossa inteligência é você” foi criado exatamente para a esse objetivo”.
“No entanto, o desafio não acaba com o domínio da utilização da inteligência artificial. Cada um de nós tem o dever de identificar como podemos aproveitá-la para gerar mais valor para nossos clientes, nossos colegas e a sociedade. É nesse ponto que a tecnologia produz um impacto real”.
A prioridade está em aplicar esses conhecimentos no dia a dia por meio de uma abordagem prática, conectada ao negócio e alinhada a um uso responsável da tecnologia. Porque, como assinala Narváez, “a inteligência artificial potencializa nossas capacidades, mas continuam sendo as pessoas que trazem o critério, a experiência, a criatividade e a capacidade de tomar decisões. Quanto mais automatizamos tarefas repetitivas, mais destaque assumem as capacidades humanas que realmente fazem a diferença”.
O talento evolui para aqueles perfis capazes de unir tecnologia e critério
A IA estimula novas combinações de capacidades
A implementação da Inteligência Artificial está redesenhando as demandas de talento das organizações. Este panorama exige que as empresas combinem conhecimentos tecnológicos com habilidades relacionadas à adaptação à mudança, à comunicação ou à compreensão do negócio. Ademais, o LinkedIn projeta que quem ingressa hoje no mercado de trabalho passará pelo dobro de postos em sua trajetória do que há 15 anos. Isso evidencia que as carreiras profissionais são cada vez menos lineares, porém mais ligadas à aprendizagem contínua.
Por conta disso, ganham destaque os perfis híbridos, capazes de integrar o conhecimento técnico e a visão estratégica. No setor segurador, esta evolução é ainda mais relevante devido à importância crescente dos dados, da automatização e dos modelos preditivos em processos como a gestão do risco, o atendimento ao cliente ou a personalização de serviços.
A evolução profissional se une à estratégia de negócios
Para as empresas, este momento fortalece a necessidade de construir culturas de aprendizagem ao longo da vida. Na Mapfre, este compromisso representa um investimento contínuo em capacitação e desenvolvimento profissional:
- Mais de 12 milhões de euros destinados a formação ao longo de 2025.
- 100% do quadro de funcionários participou em ações de formação.
- O treinamento se une a projetos reais e oportunidades de crescimento dentro da organização.
Como salienta a diretora corporativa de Talento da Mapfre: “a verdadeira transformação não ocorre quando incorporamos nova tecnologia, mas quando as pessoas desenvolvem novas habilidades para aproveitá-la. É nesse momento que o upskilling e o reskilling geram um impacto real no negócio”.
Em outras palavras, o reskilling e o upskilling na era da IA atendem a uma necessidade de formação, bem como a uma transformação estratégica do talento: aprender de forma contínua, aplicar novas capacidades ao negócio e preparar as organizações para um ambiente de trabalho cada vez mais dinâmico.




