A última edição do relatório Latam Insurtech Journey, elaborado pela Digital Insurance LATAM e com o patrocínio da Mapfre, examina a evolução do ecossistema ao longo do primeiro semestre de 2026 e desenha um cenário mais dinâmico, porém também mais exigente. No fechamento de junho de 2026, a região contava com 576 insurtechs, 14% a mais na comparação com os doze meses anteriores. É a maior taxa de crescimento desde 2023, marcando uma clara recuperação frente ao 2% registrado no período anual anterior.
Ao longo dos últimos doze meses, surgiram 102 empresas e 35 desapareceram. A proporção corresponde a cerca de 3,5 novas insurtechs para cada encerramento registrado. Um dado que confirma que a América Latina mantém a capacidade de criar projetos, embora o mercado passe a favorecer cada vez mais propostas que resolvam problemas específicos da indústria e dos clientes.
A menor taxa de mortalidade confirma uma fase de consolidação
A taxa de mortalidade anual ficou em 7% ao final do primeiro semestre de 2026, em comparação com o patamar de 12,7% registrado em 2024, acumulando o quinto semestre consecutivo de retração. A continuidade desta tendência demonstra que mais insurtechs conseguem ultrapassar os estágios iniciais de desenvolvimento e manter sua atuação no mercado.
A expansão regional diminui a dependência de um único mercado
A internacionalização é mencionada no relatório da Mapfre como um fator fundamental de resiliência no continente. Nesse sentido, as insurtechs que atuam em um único país apresentam uma probabilidade de desaparecimento quatro vezes maior do que as multilatinas. Portanto, a expansão não responde apenas a uma estratégia de crescimento: ela também reduz a dependência de um único mercado e comprova a adaptação da proposta aos diferentes contextos regulatórios e comerciais.
De forma específica, o índice regional de internacionalização atingiu 19,7% ao final do primeiro semestre de 2026, dentro de um ecossistema cada vez com menor concentração. O Brasil mantém a liderança com 217 insurtechs, apesar de ter perdido participação relativa, enquanto o México alcançou 150 empresas, o Chile 112 e a Argentina 110. A evolução desses mercados confirma que a América Latina já dispõe de vários polos capazes de promover o desenvolvimento insurtech.
O financiamento se concentra em modelos com maior maturidade
Vale destacar também que as insurtechs latino-americanas captaram 90 milhões de dólares durante o primeiro semestre de 2026. Esse montante transforma este período no terceiro melhor semestre registrado após a pandemia, ainda que tenha ficado abaixo do resultado obtido na primeira metade de 2025.
O tamanho médio das rodadas chegou a 8,2 milhões de dólares. Mais do que indicar uma recuperação geral do capital, o valor sinaliza uma maior concentração do investimento. Os investidores estão priorizando empresas com uma aplicação evidente no seguro e possibilidades reais de escala.
Life & Care atrai o interesse dos investidores
A concentração do investimento no segmento Life & Care é um dos sinais mais claros da maior seletividade do capital no primeiro semestre de 2026. Este segmento representa 26% das insurtechs da região, embora tenha captado 76% do financiamento, reafirmando o interesse do capital por soluções ligadas à saúde e à vida.
O contraste com Mobilidade é notável. Apesar de reunir 211 empresas e corresponder a 37% do ecossistema, captou apenas 9% do investimento do semestre. Esse dado revela que o número de atores não define a atratividade de uma categoria: os investidores priorizam os modelos com uma oportunidade de negócio mais evidente.
A inovação ganha relevância dentro da operação seguradora
Por fim, é importante salientar que os habilitadores tecnológicos já correspondem a 52% do ecossistema, em comparação com 48% das insurtechs focadas na distribuição. Esse equilíbrio mostra que a inovação está cada vez mais direcionada a atender necessidades internas do negócio segurador, com soluções que melhoram processos existentes.
A Inteligência Artificial também vem expandindo sua presença no ecossistema. O relatório mapeou 18 insurtechs especializadas em IA agêntica, com aplicações em áreas como sinistros e assinatura. Sua evolução dependerá da capacidade de integração aos processos das seguradoras e de exibir resultados tangíveis, com mecanismos de controle adequados para cada caso de uso.
Carlos Cendra, Scouting & Investment Lead em Inovação Corporativa na Mapfre, destaca que “os dados desta edição confirmam que o ecossistema insurtech latino-americano continua com uma evolução muito positiva. A força do setor se reflete no aumento do número de startups, na queda da mortalidade e em patamares de financiamento que posicionam 2026 como um ano de grande potencial; provavelmente, se continuar a linha marcada nestes primeiros seis meses, entre os melhores do período pós-pandemia. Além disso, tendências como a inteligência artificial agêntica, o desenvolvimento da Life & Care ou os novos modelos de distribuição vêm impulsionando uma nova fase de inovação seguradora na região. Na Mapfre, seguiremos acompanhando a evolução deste mercado e as oportunidades criadas para todo o ecossistema”.




