A saúde mental, definida com frequência em fóruns e artigos científicos como a grande esquecida durante décadas, abrange nada menos que o bem-estar emocional, psicológico e social de uma pessoa. Segundo sua definição, afeta nossos pensamentos, sentimentos e como encaramos a vida, lidamos com o estresse, nos relacionamos e decidimos. 

Se está intacta é um estado de bem-estar no qual a pessoa realiza suas capacidades e trabalha de forma produtiva, contribuindo para um grupo maior. Nesse sentido, age como base, não somente do bem-estar individual, mas do eficaz funcionamento da comunidade.

Mas se a mente se desordena ou se descoordena, tal como definiu o psiquiatra Norman Sartorius, um dos especialistas que mais lutaram contra o estigma[i] em anos recentes, ex-diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), ex-presidente da Associação Mundial de Psiquiatras (WPA) e da sociedade europeia (EPA), aumentam o sofrimento e a estigmatização. 

Hereditárias (apesar de que a herança é poligênica e multifatorial), vinculadas às vezes a maus hábitos (como o consumo de substâncias tóxicas para o organismo) e vícios, disparados pelo estresse e problemas como a pobreza ou a exclusão social, as doenças mentais são, junto à solidão, o grande mal deste século.

[i] A classificação ou etiqueta negativa que colocam nestas pessoas e da qual é muito difícil se livrarem, e em virtude da qual sofrem atitudes e atos discriminatórios de rejeição em relação a elas.

Em aumento

A depressão, o transtorno de saúde mental mais frequente afeta, segundo a OMS, 3,8% da população mundial, 5,0% dos adultos e 5,7% das pessoas maiores de 60 anos. No total, calcula-se que afeta 280 milhões de pessoas e é mais comum nas mulheres.  

Os números são alarmantes e os estudos preveem que o número de doentes mentais se duplicará em 20 anos, embora o sofrimento global e determinadas medidas e comportamentos agravados pela pandemia de Covid poderiam contribuir para acelerar o processo.

Estigma e exclusão social

Ao longo dos séculos perder a saúde mental supôs ficar excluído da sociedade e, apesar de que hoje em dia se multiplicam as vozes que alertam sobre a estigmatização e discriminação social que acarreta, os especialistas asseguram que ainda há muito caminho pela frente. 

Esportistas de elite como Michael Phelps ou Simone Biles compartilharam sua deterioração neste âmbito tão privado, provocando reações em série com sua chamada de auxílio.  

Prioridade de saúde pública

Em 2001, a OMS fez dela uma de suas prioridades em saúde pública, incluiu-a mais tarde nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (especificamente, no ODS 3), e apresentou iniciativas e projetos focados no desenvolvimento de políticas e serviços específicos.

Algumas medidas propostas para avançar são: a integração da saúde mental na atenção primária, o desenvolvimento de serviços específicos e de coletivos específicos, maior investimento para conseguir uma pesquisa e tratamentos mais inovadores, e fomento do conhecimento para reduzir a estigmatização.

A Mapfre, dentro de sua aposta pela saúde em conjunto enriqueceu o serviço a seus segurados com programas de bem-estar, assistência psicológica e opção a consultas especializadas por vídeo conferência, entre outros serviços.