Estima-se que 54,5% da população mundial viva em cidades, percentual que sobe para 75% em territórios avançados social e tecnologicamente como a Europa. Além disso, as previsões da ONU são de que até o ano 2050 70% das pessoas residirão em grandes centros urbanos. Esses dados exigem uma reestruturação para melhorar a qualidade de vida dos habitantes desses centros, ainda mais se for considerada a elevada incidência do coronavírus nos locais mais populosos.

De fato, o alto índice de infecções ocorridas nas cidades tem acelerado o trabalho que vem sendo feito para dotá-las de “inteligência” e capacidades que as tornem mais preparadas para qualquer crise, seja sanitária, ambiental ou social.

Oportunidade para a recuperação

A IESE Business School da Universidade de Navarra falou recentemente sobre essa evolução, e publicou recentemente o estudo Índice IESE Cities in Motion. Nele, os professores Pasqual Berrone e Joan Enric Ricart destacam que a crise atual é “uma oportunidade para repensar a estratégia de muitas cidades e aumentar sua resiliência, em parte graças a uma maior colaboração público-privada”.

Além disso, trazem várias conclusões e recomendações após contextualizar a emergência sanitária em que estamos imersos e a importância da “criação” de cidades resilientes: a necessidade de focar na qualidade de vida das pessoas para promover uma recuperação justa; a identificação de quais são os recursos mais essenciais para a cidade; a implementação de estratégias que se adaptem a esse “novo normal”; a busca de sinergias entre todos os atores sociais; e uma melhor vinculação com outros territórios que não precisam ser urbanos.

As cidades inteligentes são necessárias

A partir das conclusões desse relatório, traçam-se várias linhas de ação nas quais os vereadores de cada cidade devem se centrar e nas quais a tecnologia terá um papel essencial para o sucesso.

Desde uma correta gestão de lugares e movimentos para evitar aglomerações até a implementação de estratégias pelos diferentes nichos existentes na prefeitura. Não por acaso, um dos passos necessários e em que todos os especialistas concordam é ter uma visão conjunta de quais são os objetivos da cidade, que terão que estar em consonância com a região em que está localizado e com o país ao qual pertence.

Este trabalho será fundamental para que, em menos de cinco anos, qualquer cidade esteja mais bem preparada para enfrentar uma pandemia (e pós-pandemia). E não só isso, a transição para o conceito de cidade inteligente também proporciona maior bem-estar social, crescimento econômico e sustentabilidade ambiental, necessários se levarmos em conta que 60% das emissões mundiais de dióxido de carbono são geradas em grandes centros urbanos.

 

O papel da tecnologia

Como não poderia deixar de ser, a adoção das mais recentes inovações tecnológicas é o pilar sobre o qual se assentarão as novas cidades inteligentes, principalmente em termos de coleta de dados. É fato que a informação detalhada não só auxilia na governança e na tomada de decisões, mas também na solução de problemas futuros graças a uma maior capacidade de previsão.

Em relação às tecnologias que devem ajudar a alcançar as cidades inteligentes, destacam-se:

Espírito colaborativo

Todas essas tecnologias devem representar um pilar sobre o qual basear um trabalho, ou seja, por si só, não são a solução. Na verdade, há um elemento unificador em torno delas: a colaboração.

Portanto, o trabalho conjunto será a pedra angular das cidades inteligentes. E precisamente essa colaboração é o motor de uma iniciativa interessante criada pelo Smart Cities Council. É uma ferramenta colaborativa on-line para que as cidades melhorem suas respostas diante do coronavírus (COVID-19). O nome desta plataforma é Activator – COVID-19 Mitigation Roadmap e permite aos dirigentes de cada cidade trabalhar e compartilhar informação em tempo real para tomar as melhores decisões face aos estragos da pandemia.

Também relacionado a esse vírus encontramos o aplicativo Radar COVID, que foi desenvolvido pela Secretaria de Estado da Digitalização e Inteligência Artificial do Ministério de Assuntos Econômicos e Transformação Digital da Espanha. A sua função é rastrear o coronavírus, bem como notificar os contatos que o usuário tenha do possível risco de infecção – cumprindo sempre as recomendações da Comissão Europeia para proteger a privacidade dos referidos contatos.

Resumindo, trata-se de encontrar o caminho para melhorar a vida das pessoas que moram na cidade, objetivo final das cidades inteligentes.