O ecossistema insurtech na América Latina encerrou 2025 apresentando uma evidente mudança na sua dinâmica. Após quatro anos marcados pelo ajuste posterior à crise de financiamento que começou em 2022, o setor ingressa em um novo período caracterizado por uma exigência estratégica mais elevada. No final de 2025, o mercado conta com 536 insurtechs ativas, em um contexto em que os investimentos reaparecem, mas focam em projetos capazes de resolver problemas concretos do negócio segurador.

De acordo com o relatório Panorama Econômico e Setorial 2026 da Mapfre Economics, a América Latina tenderá a estabilizar seu crescimento econômico durante este ano com um processo progressivo de desinflação. Este contexto favorece o setor segurador, que precisa da previsibilidade econômica para criar produtos, escalar modelos e expandir coberturas em mercados ainda subsegurados.

Por outro lado, a lacuna seguradora continua sendo um obstáculo para o crescimento do setor. Como apontado nos conteúdos compartilhados pela Mapfre durante a última edição do ITC Vegas, realizada em outubro passado, a penetração dos seguros na América Latina ainda orbita em torno de 3%. Este número evidencia a necessidade de produtos mais acessíveis, modelos de distribuição eficazes e soluções que consigam alcançar novas fatias da população.

Segundo o relatório Latam Insurtech Journey 2026, o ano de 2025 foi um divisor de águas para a indústria insurtech na América Latina. Depois de vários anos de retração, o financiamento se recupera amparado por critérios mais exigentes. O investimento atingiu 199 milhões de dólares, o que representa um crescimento de 117% em comparação com 2024, embora ainda esteja distante dos níveis registrados em 2021 e 2022.

Na visão de Carlos Cendra, Scouting & Investment Lead de inovação corporativa na Mapfre, “os dados revelam uma nova etapa: o mercado agora prioriza modelos com impacto no negócio e capacidade real de escalamento”.

Um ecossistema insurtech mais maduro e orientado ao impacto

O LATAM Insurtech Journey 2026 descreve um ecossistema mais racionalizado, com menos operações e um patamar superior de exigência estratégica. Nos últimos quatro anos, percebe-se uma transição clara a partir de um modelo focado na distribuição, que representava cerca de 60% do ecossistema, para um maior peso dos habilitadores tecnológicos, que já representam mais de 51% e seguem em ascensão.

A utilização de dados, a Inteligência Artificial e a eficiência operacional assumem uma função central nesta nova etapa, alinhando-se às prioridades do setor segurador em nível global. Esta evolução também se reflete em uma queda na mortalidade do ecossistema: a taxa anual, incluindo pivotes, é de 8%, motivada pelo desaparecimento de modelos de distribuição menos resilientes.

Para a Mapfre, esse amadurecimento possibilita colaborações mais sólidas e com maior impacto. “Percebemos na América Latina uma orientação clara para a resolução dos desafios do negócio segurador, da assinatura à gestão de sinistros, visando expandir o acesso ao seguro”, destaca Carlos Cendra.

Em termos geográficos, o relatório aponta uma maior diversificação do ecossistema insurtech dentro da região:

Cada uma destas regiões mostra diferentes dinâmicas em termos de atração, crescimento e internacionalização. O traço comum entre elas é o impulso de todos os agentes para continuar crescendo.

Financiamento e parceria como alavancas para 2026

Para o ano de 2026, o Latam Insurtech Journey 2026 projeta um ano de consolidação. Dessa forma, o financiamento tenderá a se concentrar naquelas startups insurtech que apresentem propostas claras, integração com seguradoras e capacidade de escalar em diferentes mercados. A taxa de internacionalização atinge 19,2%, e 32% das insurtechs ativas na região são estrangeiras, o que confirma o interesse do mercado latino-americano, mesmo com um ambiente mais seletivo.

“O desafio não é apenas inovar, mas fazer isto de forma coordenada, conectando financiamento, parceria e prioridades de negócio”, explica Carlos Cendra. “Essa abordagem permite ao ecossistema insurtech contribuir de forma sustentável para reduzir as lacunas de proteção”. Com um cenário macroeconômico mais estável e um ecossistema insurtech mais profissionalizado, 2026 promete ser um ano decisivo para transformar inovação e financiamento em resultados reais para o setor segurador e para a sociedade latino-americana.