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ECONOMIA| 07.04.2020

Expressões referentes ao efeito do vírus no contexto econômico

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Desde o anúncio da pandemia, alguns conceitos foram criados, e outros ressurgiram, para ilustrar o impacto financeiro e econômico do coronavírus em nível global. Ultimamente temos ouvido falar de economia de guerra ou da quebra de 2020, mas há uma série de conceitos que associam o rápido contágio da COVID-19 na economia. Em razão de sua recorrência, selecionamos os seguintes:

Atividades essenciais: descrição das atividades que os governos consideram “vitais” para a manutenção de determinado país em situação de confinamento total, por exemplo, aquelas relacionadas com alimentação, farmácias, serviços médicos, telecomunicações, combustíveis para os automóveis, entre outras. Muitos países tem encontrado dificuldades para definir este termo.

Contágio econômico: transmissão dos efeitos, nesse caso do vírus, na economia. Por causa do campo semântico ao qual pertence, é uma metáfora muito apreciada pelos meios de comunicação. Levando em consideração o tempo transcorrido desde o início da pandemia, ainda não se conhece seu alcance. Fala-se também de contágio para as receitas no âmbito da tributação e de contágio em vários setores especialmente atingidos, como o turismo.

Coronabonds (coronatítulos): o eurotítulo é um conceito de 2011 que agora é chamado de “coronabonds”, porque esses títulos poderão ser usados para financiar medidas contra a COVID-19. Também conhecidos como títulos de estabilidade europeus, são títulos de dívida pública teóricos, a serem emitidos por todos os países da zona do euro, cujos valores não devem necessariamente ser expressos em euros. Servirão pela primeira vez como instrumento de dívida se os chefes de estado e de governo da União Europeia concordarem com a sua implementação. Embora essa possibilidade ainda não tenha se materializado, ela permitiria que a dívida e os riscos de todos os países fossem mútuos, no âmbito comunitário, pois a entidade emissora dos títulos seria o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE).

Dinheiro “helicóptero”: injeção direta ao bolso dos cidadãos com o objetivo de reaquecer o consumo. É assim que a medida é conhecida, como se o dinheiro fosse lançado sem a intervenção de bancos por meio de um helicóptero, com base em uma proposta de Milton Friedman, vencedor do Prêmio Nobel, em 1969. O Congresso dos EUA aprovou recentemente esta solução em seu pacote de estímulo de 2,2 trilhões de dólares para aliviar os efeitos do coronavírus em sua economia. Isso inclui uma parcela de cerca de 250 bilhões de dólares em reservas para efetuar pagamentos de 1.200 dólares diretamente a indivíduos e famílias que têm uma renda inferior a 75 mil dólares ao ano, aos quais serão adicionados 500 dólares para cada criança com menos de 17 anos.

Economia circular: ao contrário da atual economia linear, é aquela que permite o reaproveitamento de recursos naturais (matérias-primas e energia) e a redução e recuperação de resíduos, sendo mais sustentável e competitiva. Acredita-se que protegerá ainda mais a sociedade dos cenários de incerteza como o atual.

Fundo de resgate europeu: também no âmbito da comunidade e de acordo com o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), o fundo poderia conceder empréstimos a países europeus com o objetivo de amortecer o efeito negativo da COVID-19 nas suas economias. O MEE faz parte da estratégia da UE para garantir a estabilidade financeira na Eurozona. Criado em março de 2011, trata-se de um mecanismo permanente para a gestão de crise.

Fundo fiduciário para alívio e contenção de catástrofes: instrumento do Fundo Monetário Internacional (FMI) para conceder subsídios de alívio da dívida dos países mais necessitados e vulneráveis, para ajudar a lidar com catástrofes de saúde pública como a COVID-19.

Fuga de capitais: a pandemia desatou a maior fuga de capitais dos mercados emergentes já registrada. Representa a maior saída de ativos ou dinheiro de que se tem notícia, pois é um fenômeno recorrente em tempos de crise ou em resposta a algum evento de caráter econômico que tenha acontecido.

Hibernação econômica: denominação da medida adotada pela Espanha para paralisar setores econômicos que não são considerados essenciais, como a construção e algumas atividades industriais. Embora o termo “hibernação” ser comumente utilizado para descrever o status de refúgio de alguns animais no inverno, no momento, essa expressão econômica ocorre na primavera.

Injeção massiva de liquidez: estímulo lançado pelo Banco Central Europeu (BCE) para amortecer o impacto econômico pela COVID-19, que consiste na injeção massiva de liquidez barata para os bancos, com o objetivo de manter o crédito para empresas em dificuldades e reforçar o programa de compra de dívidas. Nos EUA, o Federal Reserve (Fed) colocou em andamento o maior pacote de estímulos financeiros desde a crise financeira de 2008, com a compra de ativos por um montante ilimitado.

Mecanismo de resseguro do desemprego: os empregos são o maior foco de atenção. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) já estimou que 25 milhões de pessoas podem perder o emprego no mundo todo. Diante dessa situação, a Comissão Europeia anunciou a criação de um fundo comunitário, que mobilizará 100 bilhões de euros através da emissão de títulos ou, se necessário, através dos remanescentes ou aumentando o teto de gastos do orçamento da UE. Esse esquema temporário, conhecido como Sure, será destinado somente aos afetados pelos coronavírus.

[Novo] Plano Marshall Europeu: semelhante ao plano oficialmente conhecido como European Recovery Program (ERP), que após a Segunda Guerra Mundial possibilitou a reconstrução de diversos países europeus e foi financiado pelos EUA. Com cerca de 14 bilhões de dólares, o mundo agora fala em um novo plano Marshall para combater o impacto da COVID-19. A OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) solicitou a diferentes governos, incluindo o Congresso dos EUA, que acaba de se comprometer com a injeção de dois trilhões de dólares para fortalecer a economia.

Petróleo, outra vítima da COVID-19: o preço de um barril Brent atingiu níveis incomuns, devido à pandemia, em duas décadas. A paralisia da atividade comercial causou uma queda acentuada em sua demanda. A guerra de preços provocada entre dois pesos-pesados da produção internacional, Arábia Saudita e Rússia, também não ajuda a situação. Diante de um corte de 60% na cotação do barril Brent, o próximo cenário é uma redução sem precedentes na produção dos parceiros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que atingirá 10% do fornecimento global.

Resiliência econômica: o termo se repete este ano como sendo a capacidade da economia de resistir a choques externos, como a COVID-19, e também está prematuramente associado ao aprendizado com a crise e à capacidade de recuperar uma economia resiliente e sustentável. Usado pela França para batizar a operação com a qual mobilizou seu exército, também se aplica ao mundo dos negócios e, no contexto socioeconômico, refere-se à proteção dos empregos, tão gravemente afetados pela crise atual.

Investimento socialmente responsável (ISR): conceito financeiro que integra projetos ambientais, de impacto social e de governança. É previsto como uma abordagem determinante para identificar empresas fortes em tempos incertos como o atual.

Dollar smile (“sorriso do dólar”): teoria de Stephen Jen, ex-analista do Morgan Stanley, segundo a qual a moeda americana se fortalece, como um porto seguro, em tempos difíceis.

Suavizar a curva de perdas: objetivo ao qual muitos especialistas se referem: suavizar a curva de perdas econômicas usando uma expressão que, no gerenciamento da crise da saúde, procura achatar ou suavizar a curva de contágio. Em relação à curva do ciclo econômico, os especialistas preveem que ela terá a forma de V, registrando uma queda devido às medidas de confinamento e uma subsequente recuperação. Outra opção é um cenário de curva em U, se as referidas medidas se prolongarem, ou de um temido L, mais improvável, se houver uma estagnação após a queda econômica.

Terceiro maior choque do século: de acordo com a OCDE, a pandemia tornou-se o terceiro grande impacto econômico, financeiro e social do século 21, depois dos ataques do 11 de setembro de 2001 e a crise financeira mundial de 2008.

Vendaval de cortes de rating: a redução ao valor recuperável econômica está causando uma onda de rebaixamentos em relação às classificações feita pelas principais agências de classificação. Os setores mais castigados são: produção automotiva, companhias aéreas, energia e hotelaria. De fevereiro até o final de março, a S&P realizou 682 ações de rebaixamento e, somente no mês passado, a Moody’s baixou a nota de 300 empresas em todo o mundo.