“Geralmente, o principal está protegido e não pode ser recuperado abaixo de 100%, mesmo que ocorra deflação acumulada. Em outras palavras, a taxa de juros real a qual se investe na compra desses títulos está protegida contra a inflação futura, porque se a inflação acumulada desde a emissão aumentar, tanto os cupons a receber quanto o principal no vencimento também aumentam”, explica Daniel Gómez, gestor de renda fixa na Mapfre AM.
Conforme explica o Tesouro Público em seu site, “no caso de que o índice de referência correspondente à data de vencimento seja inferior ao índice base, o montante da amortização será igual ao nominal”.
Gómez afirma que este tipo de título é apropriado para qualquer tipo de investidor cujo objetivo seja se proteger contra a inflação, embora geralmente seja um mercado mais propício para investidores institucionais “por sua relativa complexidade”.
Por exemplo, o título alemão de dois anos indexado à inflação europeia cota por mercado com uma rentabilidade real (protegida da inflação) de 0,92%, enquanto um título normal (sem proteção) do mesmo emissor, no mesmo vencimento (interpolado), cotaria a 2,62%. Ou seja, a diferença entre 2,62% e 0,92% é de 1,70%. “Se acreditamos que a inflação em dois anos estará acima deste nível, devemos comprar os títulos atrelados à inflação ao invés dos nominais (normais)”, afirma.
As previsões da Mapfre Economics, o Serviço de Estudos da Mapfre, indicam que a inflação na Zona Euro deve ficar em torno de 2,5% para este ano em seu cenário base, o mais provável. No entanto, essa taxa pode ser ampliada para 2,9%, caso ocorra um agravamento nos conflitos geopolíticos em andamento, entre outros riscos. Consequentemente, esses produtos ainda podem ter espaço para crescimento.
Contudo, o aumento dos preços em outras áreas econômicas é maior: nos Estados Unidos deve ser em torno de 2,7%, enquanto no Reino Unido pode chegar a 3,2% e nos mercados emergentes como um todo até 6,2%.
“Se compararmos atualmente a rentabilidade de um título nominal de dois anos com a de um título indexado à inflação, observamos que o mercado estima níveis de aumento de preços na Europa abaixo de 2%, quando atualmente estamos em 3,4% e temos conflitos geopolíticos abertos, como o da Ucrânia ou o Mar vermelho, que podem gerar novamente gargalos na cadeia de produção e encarecer os preços de transferências e as matérias primas”, insiste Gómez.
Além disso, em períodos de aumentos nas taxas de juros, “costumam apresentar um comportamento melhor que os títulos nominais”. Não entanto, há também algumas desvantagens: a liquidez de mercado é menor e, logicamente, o desempenho é inferior que o dos títulos nominais em períodos de expectativas de queda de inflação.
Limitação das expectativas de quedas de taxas
Os mercados antecipam entre seis e sete cortes de taxas de juros, embora os dados não justifiquem essas decisões no caso dos Estados Unidos: a economia do país continua demonstrando fortaleza e a inflação está em níveis ainda elevados para que essas quedas ocorram. De fato, o aumento dos preços no país foi de 3,1% em janeiro, três décimos menos que os dados de dezembro, mas acima dos 2,9% previstos pelos analistas.
“Em princípio, os dados devem postergar a expectativa de queda de taxas”, explica Alberto Matellán, economista chefe da Mapfre Inversión. “Parece que a inflação não está diminuindo tanto quanto previsto e deve permanecer em torno dos níveis atuais, mais elevada do que o esperado pelo consenso”.