Diretor corporativo de Organização e Talento da Mapfre
Hoje, a incorporação em projetos interessantes, em empresas com propósitos e valores, o sentimento de ser útil e que o que se faz no trabalho tem significado é o que motiva os funcionários e o que eles exigem. Isto é o que os profissionais de hoje pedem às empresas e isso é o que os motiva a fazer parte de um projeto ou mudar rapidamente para outro.
Vivemos em uma realidade em que o grande desafio que enfrentamos é a gestão da incerteza. Não reconhecer isto é contestar uma realidade que se apresentou a nós de uma forma que ninguém podia imaginar. Há mais de dois anos, voltamos para casa com a ameaça de uma pandemia. Nenhum de nós tinha experimentado algo semelhante. Não sabíamos quando retornaríamos aos escritórios. Começamos a trabalhar e nos relacionar de forma massivamente remota. Mas estávamos prontos para isto? Todas as empresas fizeram isso. Não houve escolha (em um mês, 90% do quadro de funcionários trabalhava remotamente). Acredito que o nível de preparação de cada empresa era diferente, também em função do setor de atuação… Mas uma realidade foi colocada sobre a mesa e hoje, alguns anos depois, tem um peso inquestionável: flexibilidade, confiança e responsabilidade bidirecional entre empresa e funcionário e vice-versa.
E são precisamente estas características que definem as novas formas de trabalho e o que todas as pessoas, independentemente da idade, estão exigindo. Talvez porque isto facilita o crescimento e desenvolvimento profissional e pessoal. E porque são exigências cada vez mais importantes na hora de atrair e reter o talento, porque é importante lembrar que dentro das organizações há muito talento, que deve ser aproveitado, e que demanda conciliação e tempo para a vida privada.
Dispor de um projeto atraente, interessante, que permita o desenvolvimento profissional e que motive o funcionário a dizer “sim” é uma condição sine qua non nos dias de hoje. O salário ou os benefícios sociais são importantes, mas é algo que é tomado como garantido. Isto é algo que, em maior ou menor grau, todas as empresas oferecem. O que torna uma empresa diferente de outra é o resto. É sua cultura empresarial, seu propósito, seu senso social. A cultura empresarial é o pilar que continua acionando o mecanismo de qualquer corporação, mas a maneira de transmiti-la e senti-la é diferente do que era há alguns anos. Por esta razão, a necessidade de um elo emocional, especialmente quando parte do quadro de funcionários trabalha de maneira remota, é essencial.
Hoje, um projeto emocionante é exigido, empresas com propósito, valores, identificação com o que quero fazer… E esta exigência é comum a todas as gerações.
Trabalhar em projetos globais do país de origem ou em projetos de outro negócio ou de áreas diferentes para a qual você foi alocado torna possível compartilhar e incorporar novos conhecimentos. Equipes autônomas e multidisciplinares possibilitam conhecer outros pontos de vista pelo simples feito de serem vistas com outra perspectiva, mesmo que apenas seja geograficamente, outras idades… É esta diversidade que acrescenta valor ao trabalho, que enriquece os projetos e também os funcionários, tanto pessoal quanto profissionalmente.
Estas características que definem a nova forma de trabalho não são estáticas. Trata-se de um processo em contínua evolução, em que os líderes das equipes assumem um papel muito importante, pois esta figura também mudou. O líder deve ser o unificador e facilitador do trabalho de suas equipes. Errar não é sinônimo de fracasso. Tentativa e erro são ferramentas e meios para continuar avançando. A autonomia dos membros de uma equipe é alcançada com confiança na equipe e no líder, e esta confiança se traduz em autogestão. É precisamente o líder que reúne uma equipe, que cuida e atrai o talento, que possibilita e facilita o crescimento de todos os integrantes.
É preciso aprender todos os dias e também aprender a desaprender o que aprendemos, porque já não é mais útil. A burocracia é contrária ao que as pessoas exigem hoje nas empresas. Elas demandam imediatismo, agilidade, algo que as empresas também devem aprender a gerenciar e devem aprender rapidamente. Aprender todos, empresa e funcionários, em um contexto totalmente diferente daquele que tivemos até agora.
É precisamente nesta nova realidade em que o funcionário se torna, agora e verdadeiramente, dono de sua carreira profissional. Esta capacidade de autoaprendizagem assume maior importância em momentos como o atual. A empresa deve fornecer os meios para que a pessoa aprenda os conhecimentos de seu posto para seu desenvolvimento, mas é ela quem decide o que quer aprender. Autoaprendizagem. Esta é, provavelmente, uma das grandes mudanças na última década no campo dos recursos humanos. Cada um desenvolve seu talento e a empresa deve conhecer todo esse talento e identificá-lo. Esta gestão permitirá à empresa oferecer aos funcionários novos desafios.
Uma nova tendência também está começando a surgir: funcionários que mudam de empresa não porque estejam infelizes, mas porque encontram um projeto empolgante em outra empresa e sentem vontade de fazê-lo. E eles querem ter a oportunidade de retornar à empresa. Esta dinâmica que está começando agora pode não ser tão rara no futuro e pode até beneficiar tanto as empresas quanto os funcionários. Eles incorporam novas habilidades e conhecimentos, e as empresas se beneficiam desse novo talento adquirido em outra empresa. Hoje é incipiente… Mas quem sabe?
A velocidade e a mudança de paradigma que estamos experimentando na maneira como trabalhamos são muito mais rápidas do que foram as mudanças no passado. Esta é a nossa realidade. A maneira como as equipes são gerenciadas mudou, a forma de trabalhar também, as exigências dos funcionários e seus interesses já não são mais os mesmos. Senso de propósito e agilidade para nos adaptar a estas mudanças são de suma importância para todos. Isto é o que envolve as pessoas hoje para se incorporarem a uma empresa e esta realidade é imparável.