Se olharmos para trás e analisarmos nossas últimas compras, é provável que tenhamos escolhido uma marca pelo preço, pelo design ou até mesmo pela sua história. No entanto, além da etiqueta, cada decisão de compra esconde um impacto ambiental e social. De fato, a conscientização ambiental cresceu significativamente nos últimos anos em nível global. Conforme um relatório da IBM e da National Retail Federation, quase 70% dos consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis, enquanto o relatório The Changing Climate of Sustainability da NielsenIQ, indica que 73% dos consumidores mudariam seus hábitos de consumo para reduzir seu impacto ambiental. Mas será que realmente sabemos o que implica cada produto ou serviço que adquirimos?
A situação ambiental deixou de ser um simples debate e se tornou uma prioridade. É o que demonstra a Pesquisa Anual sobre o Clima do Banco Europeu de Investimento (BEI), na qual 94% dos entrevistados afirmam que a Europa deve se adaptar às mudanças climáticas, sendo que 66% consideram isso uma prioridade absoluta. Segundo o Fórum Econômico Mundial, mudanças no comportamento e estilo de vida dos consumidores poderiam reduzir até 70% das emissões globais de gases do efeito estufa até 2050. A adoção de hábitos de compra sustentáveis é essencial não apenas para a conservação do meio ambiente e dos recursos naturais, mas também para proteger a biodiversidade, reduzir resíduos e mitigar as mudanças climáticas; impacta também aspectos econômicos, sociais, de saúde e éticos. É aqui que entra em jogo o conceito de “compra verde”, que nada mais é do que integrar a conscientização ambiental nas decisões de compra.
A cor da sustentabilidade
Quando falamos em “compra verde”, nos referimos à aquisição de produtos e serviços que geram menor impacto ambiental em comparação às alternativas convencionais. Trata-se de uma decisão consciente que busca minimizar o impacto ambiental e promover práticas responsáveis em toda a cadeia de valor. Essa abordagem incentiva a sustentabilidade e a responsabilidade social corporativa, impulsionando as empresas a reduzir sua pegada ecológica por meio do uso de materiais reciclados, processos eficientes em consumo energético e modelos produtivos responsáveis.
No entanto, em um mercado onde os rótulos ecológicos proliferam, nem tudo que brilha é verde. A sustentabilidade se tornou uma poderosa ferramenta de marketing, mas quando não é acompanhada por ações concretas, pode se voltar contra as próprias marcas. O verde volta a aparecer, mas na forma de “lavagem ecológica”, conhecida como greenwashing. Segundo o relatório da KPMG, The challenge of greenwashing: an international regulatory overview, as demandas relacionadas a essa prática aumentaram 21% em nível global no último ano, um número que reflete a crescente rejeição a esse tipo de prática. Esse fenômeno também é confirmado pelo estudo Sustainable Sector Index, da Kantar, que revela que 72% dos consumidores desconfiam das marcas que se envolvem em questões ambientais apenas por razões comerciais.
As mudanças no comportamento e estilo de vida dos consumidores poderiam reduzir até 70% das emissões globais de gases do efeito estufa até 2050 (Fórum Econômico Mundial)
Portanto, quando falamos de “compra verde”, vamos além de uma simples etiqueta e focamos na produção e nas implicações ambientais de cada produto ou serviço. Trata-se de avaliar o ciclo de vida completo daquilo que consumimos, desde a obtenção de matérias-primas até sua reciclagem ou descarte, considerando o desenvolvimento sustentável da empresa que o produz. Ao optar pela compra verde, as empresas reduzem sua dependência de combustíveis fósseis, contribuindo ativamente para a transição rumo a uma economia circular, na qual os recursos são usados de maneira eficiente e os resíduos são minimizados ao máximo. Isso resulta em uma economia significativa de energia, uma maior consciência diante das crises ambientais e uma melhora na percepção da marca, fortalecendo a confiança dos consumidores.
Consciência empresarial
Muitas empresas já perceberam que suas decisões de compra têm um peso considerável sobre o meio ambiente e na transição rumo a um modelo empresarial sustentável, e que essas ações se tornam, inclusive, uma vantagem competitiva. A Mapfre é um exemplo disso, já que assumimos o desafio de reduzir ao máximo as emissões de carbono e o consumo energético em todos os países onde estamos presentes. Com a meta de ser carbono-neutra até 2030, desenvolvemos o Plano Corporativo de Pegada Ambiental 2021-2030, com o objetivo de reduzir em 30% a pegada de carbono (TonCO2e) em relação à linha de base de 2022. Este roteiro contempla a redução das viagens de negócios (avião) e a implantação de uma frota composta apenas por veículos ECO para reduzir o impacto ambiental da mobilidade. Outra das premissas é melhorar a eficiência energética priorizando o autoconsumo elétrico com energia solar fotovoltaica, entre outras medidas. Também adotamos políticas de economia circular com critérios de reciclagem e redução de resíduos, bem como a seleção de fornecedores comprometidos com o planeta.
A Mapfre assumiu o desafio de reduzir ao máximo suas emissões de carbono e o consumo energético em todos os países onde está presente.
A sustentabilidade é considerada um pilar fundamental da gestão da organização, já que é vista como uma oportunidade estratégica que gera valor econômico e social, respondendo às necessidades dos clientes e da sociedade em geral. O essencial é que mais empresas assumam seu papel como agentes de mudança, promovendo um modelo econômico onde o crescimento não esteja em conflito com o respeito pelo planeta. As organizações que conseguirem incorporar genuinamente esses princípios estarão contribuindo para proteger o meio ambiente e fortalecerão sua capacidade de adaptação diante de futuras regulações ambientais e da crescente demanda de investidores e parceiros estratégicos comprometidos com a sustentabilidade. A compra verde, portanto, não é apenas uma questão de responsabilidade social, mas um pilar fundamental para a competitividade e o sucesso empresarial no longo prazo.