As idiossincrasias especiais desse tipo de empresa as tornam passíveis de serem verdadeiras sobreviventes e pioneiras em novos modelos de negócios. “No cenário pós-COVID-19, muitas empresas com meses ou anos de existência enfrentam o desafio de que é necessário, para continuar no mercado, aplicar abordagens e princípios inovadores como qualquer startup”, explica Javier Redondo, consultor e autor de negócios do livro “¿Una manera distinta de hacer negocios?” (“Uma foram diferente de fazer negócios?”, em tradução livre).

Afinal, uma startup é uma empresa em crescimento em que a tecnologia e a inovação fazem parte da sua filosofia. E é justamente aí que elas passam a ter uma grande oportunidade: no desenvolvimento de soluções e produtos capazes de inovar e responder às demandas em constante mudança dos consumidores.

Mudanças nos modelos de negócios

Tanto nos meses de confinamento como nas semanas que se seguiram a esse período, houve mudanças no modo de consumo. Por um lado, o comércio eletrônico experimentou uma recuperação positiva na maioria dos setores devido à impossibilidade de frequentar estabelecimentos comerciais físicos e as subsequentes medidas de distanciamento social. Os números não mentem: o aumento chegou a 300% na América Latina.

Por sua vez, todos os produtos relacionados a hábitos saudáveise bem-estar também dispararam nas preferências do consumidor. Isso cria um cenário em que prevalecem: a proposta de valor, as experiências e a capacidade de facilitar o processo de compra.

A resposta para essa nova realidade deve, portanto, ser ágil e coerente, pois uma falha na adaptação dos negócios pode levar à sua falência. E nesse campo, as startups têm muito a oferecer, começando pela maneira como funcionam

O trabalho das startups

De acordo com Marta Domínguez, professora de Inovação da IE Business School, especialista em startups e diretora da I-Thread Consulting, em seu artigo, os empreendedores inovadores gerenciam três estruturas de exploração: “alterar ou adaptar o que não funciona, com base na inovação incremental, facilitar as coisas ao cliente,
por meio de medidas disruptivas, e tornar as coisas mais acessíveis para o cliente.”

“As startups passam por áreas pouco exploradas pelas empresas e também são as que mais se aventuram em propostas disruptivas. No entanto, a metodologia das três estruturas é um modelo que pode oferecer à empresa os mesmos benefícios internos para gerenciar a incerteza de maneira mais ágil do que uma startup. O segredo é capturar algo da essência de uma startup”, concluiu Marta ao esclarecer como esses modelos inovadores tenderão a ser adotados por empresas mais tradicionais.

Afinal, o objetivo das startups é crescer e consolidar-se como empresas maiores e mais estabelecidas ou simplesmente ser adquiridas por grandes empresas.

Um bom exemplo da capacidade desse tipo de empresa pode ser verificado no programa insur_space da Mapfre, cuja terceira chamada está aberta e na qual podem participar as startups que desejam crescer no mundo dos seguros. Seu objetivo é promover seus produtos e serviços em três setores verticais: envelhecimento da população, saúde e bem-estar proativos e gestão de riscos, danos e sinistros.

Cultura digital

Uma das tendências da era pós-COVID-19 é a aceleração da cultura digital, outro dos aspectos em que as startups têm maior força. Com isso, surgem várias oportunidades de negócios nas quais esse tipo de negócio terá muito a dizer.

Trabalho remoto

Embora sua maior adoção nesses tempos se deva ao fato de sermos obrigados a parar, é verdade que muitas empresas encontraram nessa modalidade uma solução para muitos de seus problemas. Tal realidade levará muitas delas a procurar as melhores soluções para suas necessidades particulares.

“As propostas cresceram diante do aumento do trabalho remoto, oferecendo alternativas de relacionamento on-line a partir de uma perspectiva de interesses pessoais. Da mesma forma, as pessoas passaram a valorizar mais atividades com relacionamentos interpessoais com poucos participantes que contribuem com valor agregado”, ressaltou Javier Redondo.

Segurança

Esta descentralização do trabalho envolve a adoção de uma série de medidas relacionadas à segurança cibernética que viabilizam as comunicações seguras. E é aí que muitas startups estão concentrando seus negócios, pois é um segmento que não parou de crescer na última década. De fato, de acordo com a consultoria Canalys, o mercado global de segurança cibernética aumentou 9,7% durante o primeiro trimestre em comparação com o mesmo período em 2019, e a proteção dos trabalhadores remotos teve muito a ver com isso.

Comércio on-line

O comércio eletrônico também tende a proliferar-se, dada a possibilidade de que a produção e as vendas presencialmente parem caso uma situação de confinamento ocorra novamente. No entanto, ainda há muito a explorar, se considerarmos um estudo realizado pela empresa GoDaddy, que toma a Espanha como exemplo, em que apenas 10% das PMEs têm comércio eletrônico para vender seus produtos e serviços. Nesse contexto, as startups podem trabalhar no desenvolvimento de metodologias disruptivas que facilitam a transição de várias empresas – cuja possibilidade de ter um comércio eletrônico era nula até poucos meses atrás.

Logística

Outro campo em que uma recuperação nas soluções tecnológicas deverá causar um progresso significativo é o da logística e da gestão da cadeia de suprimentos, que deve se adaptar a uma nova realidade na qual o comércio eletrônico está crescendo e consumidor não quer sair de casa para comprar produtos.

Investimento em inovação

Por fim, deve-se notar que a relevância dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento deverá ser maior, uma vez que a inovação e a transformação digital se tornaram duas pedras fundamentais do futuro das empresas. Ou seja, as startups também terão a oportunidade de desenvolver novos projetos focados na demanda do mercado.

Obviamente, é recomendável que elas obtenham apoio institucional. O que é evidente nos países da América Latina. Segundo uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial, o empreendedorismo e a criação de ecossistemas iniciantes serão essenciais para “capacitar” jovens entre os 15 e 29 anos, que veem corrupção, falta de educação, insegurança e falta de oportunidades como principais obstáculos econômicos para alcançar a inovação.

Mesmo assim, iniciativas privadas, como a insur_space, serão de importância vital, uma vez que promovem empresas que, sem apoio externo, podem não se tornar bem-sucedidas. Nesse caso específico, a Mapfre contribui com sua experiência e investimento para possibilitar o início dos projetos selecionados.