A economia global passou para um estado de “resiliência funcional”, sustentado mais pela gestão de riscos sistêmicos do que pela força intrínseca do ciclo econômico. Este cenário confirma que a incerteza se tornou uma característica estrutural e não apenas transitória do ambiente global, segundo o relatório Panorama econômico e setorial 2026, elaborado pela Mapfre Economics.

As estimativas para 2026 sinalizam um crescimento real do PIB mundial de 3,1% (um décimo abaixo do registrado no ano anterior) e uma taxa de inflação global também de 3,1%. A tendência continuará ao longo de 2027 com um panorama de progressão, ainda que mais moderado, e com a desinflação gradual da economia global. Nesse contexto de relativa estabilidade, o setor segurador encontra um ambiente ideal para um desenvolvimento sólido e sustentável, conforme os estudos da Mapfre Economics.

Não Vida, crescimento estável, porém inferior

Por segmentos, há uma forte correlação entre o crescimento da economia e os seguros de Não Vida. Estes produtos devem experimentar uma evolução positiva favorecida pela menor pressão inflacionária e pela estabilização dos custos de sinistralidade, especialmente em ramos importantes como Automóveis, Lar e Saúde.

Após um crescimento estimado dos prêmios de 6,04% em 2025, as previsões indicam avanços neste segmento de 5,37% e 5,34% para 2026 e 2027. Portanto, espera-se que a trajetória de crescimento continue, embora moderadamente inferior aos ritmos intensos vistos nos anos anteriores.

Vida: um aumento ainda mais favorável

O impacto do cenário macroeconômico sobre os seguros de Vida se mostra ainda mais promissor. As taxas de juros ainda elevadas, a desinflação que melhora a percepção de rentabilidade real por parte dos segurados e uma certa recuperação do poder de compra dos lares servem como catalisadores para promover a demanda destes seguros, especialmente na categoria de economia.

Com uma progressão prevista de 6,21% para 2025, o ramo de Vida estima taxas de aumento de 6,05% para 2026 e de 6,23% para 2027. Este negócio segurador demonstra uma força notável para continuar sua expansão e manterá uma trajetória equilibrada, conforme aponta o estudo.

Contribuição regional no crescimento em Vida e países chave

O relatório também examina a contribuição regional no crescimento da atividade seguradora e no impacto da conjuntura macroeconômica em mercados importantes. Especificamente em Vida, o estudo avalia que a América do Norte se posiciona como o maior impulsionador do desenvolvimento, colaborando com 2,3 pontos percentuais (p.p.) do total. Ásia desenvolvida, Oceania, União Europeia e Reino Unido vêm em seguida com uma contribuição de 1 p.p., enquanto China participa com 0,9 p.p., Ásia emergente contribui com cerca de 0,4 p.p. e as regiões da América Latina, Europa (fora da UE), Oriente Médio e África somam 0,3 p.p. cada uma.

Por países, a previsão de crescimento dos prêmios de Vida oscila muito mais. As perspectivas para a Argentina se destacam com 33,6% em 2026 e 25,7% em 2027, seguida pela Turquia com 27,5% em 2026 e 23,2% em 2027. Também com fôlego aparecem a Espanha com 13,5% e 7,4% para 2026 e 2027, e Portugal com 13,4% (2026) e 10,2% (2027). Acima dos 10 pontos também estariam o Peru (com 11,8% e 12,1%), o Chile (11,5% e 9,9%) e a Colômbia (10,6% e 8,5%).

Contribuição regional no crescimento em Não Vida e países chave

Em Não Vida, o impulso do mercado se concentra em um conjunto limitado de economias, com uma distribuição mais igualitária. A América do Norte é o principal motor, com uma contribuição de 4,6 pontos percentuais. Em seguida, aparecem a Ásia desenvolvida e Oceania com 1,6 p.p., e posteriormente a União Europeia e o Reino Unido, que contribuem com cerca de 0,8 p.p. cada uma. As regiões com menor contribuição são a China com 0,5 p.p., a América Latina com 0,2 p.p. e a Ásia emergente, Europa (fora da UE), o Oriente Médio e a África com contribuições de 0,1 p.p.

Sobre o aumento de prêmios por país dentro dos ramos de Não Vida, também surgem a Argentina com 36,2% e 26,7% em 2026 e 2027, respectivamente, e a Turquia com 26,7% em 2026 e 23,3% em 2027. Um pouco mais distante segue o México, que poderia crescer 12,3% e 13,1% em 2026 e 2027. Abaixo dos 10 pontos, as previsões indicam a Colômbia com 9,2% em 2026 e 2027, a China com 7,5% em 2026 e 6,7% em 2027, e a Espanha que aumentaria 7,4% e 6,8% em 2026 e 2027.

Conclusões

O relatório Panorama, da Mapfre Economics, revela um setor segurador globalmente robusto, que capitaliza os retornos financeiros e se ajusta às condições econômicas de cada mercado. O período de 2026-2027 desenha um cenário de crescimento sustentável para a demanda seguradora, amparado pela normalização macroeconômica e pela convergência para taxas de inflação compatíveis com a estabilidade técnica do setor. Em escala global, continuará se expandindo a um ritmo sólido nos próximos anos, especialmente no negócio de Vida e, em menor medida, em Não Vida.

Você pode consultar o relatório completo aqui.